terça-feira, 24 de junho de 2014

Democracia e liberdade – história de família

Primeiro um convite para uma solenidade que homenagearia o avô – ex-vereador e cassado pela Ditadura. O assunto nunca foi tema de almoços de família e olha que a família italiana costumava sempre se reunir aos domingos. Talvez o bloqueio de quem viveu na pele ter direitos cassados, ter sido preso sem saber o motivo. Os filhos, cada um tem o seu olhar e as suas memórias de infância em ver o pai indo embora num jipe e voltar apenas um, dois ou três dias depois. E a esposa, firme e reservada. Ou seja, o assunto parecia morar dentro de cada, mas sem nenhum comentário em comum. Memórias, experiências, indignações e um contexto político que hoje ganhou uma nova página para reescrever essa história.
Receber novamente os direitos políticos, mesmo depois de ter despedido desta vida, e o diploma de um mandato que nunca pode ser concluído foi uma nova página para essa família. Entender a emoção de cada um, não tenho essa pretensão. Agradeço por estar ali, vivenciando junto com quem esteve ao lado dele que perdeu muita coisa por acreditar que poderia construir uma vida melhor para muitos joseenses. Agradeço por estar ali e ver a emoção de quem caminhou por quase 50 anos ao lado de quem sempre acreditou que ajudar o outro é a melhor maneira de passar por essa vida. Agradeço por estar ali e ver os filhos, a mulher e os irmãos receberem pela primeira vez o documento da cassação. Agradeço por estar ali, simplesmente porque hoje vivemos em uma democracia e a liberdade de expressão permite que essa história seja reescrita de uma nova maneira.
Vô, hoje foi mais um dia que eu tive muito orgulho de quem você foi. E ver a vó e os seus filhos emocionados mostram o quanto eles ficaram felizes por esse reconhecimento social. Na verdade eles sempre souberam da sua inocência, do seu amor pela cidade e da sua vontade em mudar a vida das pessoas. Você foi político quando não havia subsídio e deixou de ser sem saber o motivo. Hoje recebemos o seu direito de volta e isso significa reforçar o quanto é importante exercer nossa cidadania para construir um mundo melhor não só para os seus bisnetos, mas para todos -- principalmente buscar construir uma sociedade mais igualitária e justa. Ah, vô, os seus irmãos estiveram lá. Eles também têm muito orgulho da sua trajetória – o tio Caio não foi, mas ele com certeza ficou feliz com essa correção na sua história. A Ana Carolina e eu representamos as suas netas, afinal não é para qualquer um ter seis netas!!! Vô que saudade de te dar um beijo na cadeira de balanço, a vó a preserva até hoje e a Sofia adora sentar lá para balançar como fazíamos... as novas gerações continuam repetindo os pequenos hábitos...

Vô, por favor continue cuidando de cada um daí de cima e um beijo grande de quem o tem no coração, na memória e na casa para sempre!

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