domingo, 19 de outubro de 2014

Em busca de novas histórias, encontro preciosidades da vida de diversas pessoas

Em uma época de falta de credibilidade na grande imprensa, eu tenho certeza que escolhi a profissão certa. Faz 14 anos que trabalho com jornalismo e desde que me conheço por gente gosto de escutar histórias. Quando criança, ficava atenta na conversa dos adultos e aos poucos fui descobrindo como achar boas histórias: ter paciência, ir para rua e escutar as pessoas. Elas sempre têm o que contar e eu, o que aprender.
Faz  pouco mais de nove anos que eu coleciono histórias que me ajudam a ser uma pessoa melhor. Nesse tempo vi coisas que pareciam simples pra mim, que sempre tive casa própria (primeiro dos meus pais, depois do meu marido e agora a nossa), acesso à educação privada e nunca passei fome, ganharem uma dimensão real ao conviver com os que não tiveram as mesmas oportunidades. Numa época em que a classe política está desacreditada, me sinto na obrigação de dizer que não podemos colocar todas as pessoas no mesmo saco, de que político nenhum presta. Me sinto na obrigação de contar que faço parte de um projeto que transforma a vida das pessoas. A primeira vez que participei de uma entrega de casas populares agradeci a Deus por estar ali e poder ver no rosto dos pais o orgulho em proporcionar um teto para seus filhos. Pais trabalhadores como os meus, mas que até então não tinham a segurança de terem uma casa para chamar de "nossa".
Eu desde criança aprendi a conviver e respeitar as pessoas pelo que elas podiam contribuir na minha vida e não julgar pelo que tinham em casa. Já tive vergonha de falar onde morava, porque meu amiguinho de catequese dividia o quarto com cinco irmãos. Ter crescido em uma comunidade mais simples do que os meus padrões me fez aprender que nem todos tiveram as mesmas oportunidades na vida. E também me fez brincar de amarelinha, pique-bandeira, esconde-esconde, pega-pega na quermesse com os filhos dos amigos de meus pais que não tinham os mesmos brinquedos que eu e minhas irmãs. Todos felizes esperavam a massa de pastel frita chamada de mentira, o açúcar queimado da maçã do amor. Todos eram iguais e felizes com as brincadeiras inventadas.
Voltando às minhas entrevistas. O tão questionado bolsa-família é a garantia da comida para que as crianças possam estudar. Ao contrário do que muita gente acha, existem inúmeros projetos que ensinam as mães, os pais e os jovens "a pescarem" como gostam de falar. Existem oficinas de artesanatos e as mães se orgulham de aprender e vender os seus produtos. Elas não querem que os filhos tenham o mesmo futuro que o delas e por isso levam os adolescentes para participarem dos cursos de capacitação. Pronatec é, às vezes, o primeiro contato que essas famílias têm com a qualificação profissional.  Ouvi muitas mães falarem orgulhosas de como os seus filhos estão indo na escola e já entrevistei muita gente da terceira idade aprendendo a ler e contando o que isso significa na vida delas. É uma conquista que talvez seja difícil de imaginar para quem sempre teve acesso às letras. E o brilho nos olhos de quem poderá estudar no Instituto Técnico Federal? Escola nova, gratuita e com cursos que o mercado precisa. Orgulho do pai e da mãe pelo filho que entrou no vestibular. Uma das primeiras matérias que eu fiz em Jacareí, que me marcou profundamente, foi de um ex morador de rua ter conseguido se recuperar do vício e voltado para casa. Ele iria passar o Natal com a irmã e o sobrinho depois de tanto tempo nas ruas.
São tantas histórias que a cada entrevista agradeço a Deus por estar ali. É uma gratidão imensa, porque sinto que a minha vontade em mudar o mundo quando escolhi ser jornalista é viável com projetos sociais. Vivo "do outro lado do balcão", como dizem os jornalistas para os assessores de imprensa. Vivo aprendendo que o mundo pode ser melhor se cada um fizer a sua parte. Vivo acreditando nas pessoas e na capacidade que elas têm de se reinventar, de se reerguer. Vivo, escrevo e acredito que o Brasil hoje está melhor do que antes e ainda é preciso muita educação para acabarmos com os resquícios da colonização que sofremos.
Se você chegou até aqui e está se perguntando "legal, mas e a corrupção, o que você tem a dizer?" Eu tenho certeza que precisa ser combatida sempre, independentemente da situação, do partido. Por isso sou contra o "gatonet", recibo frio de médico para aumentar restituição do IR, furar fila. Tento ensinar a minha filha que amor, respeito, humildade são valores que não podem ser perdidos nunca na vida. É assim que vamos construir um país mais justo e igualitário para se viver. Do mesmo jeito que sonho com um futuro melhor para ela, sonho para que todos possam ter as mesmas oportunidades que eu tive.

Voto na Dilma consciente que é o melhor projeto para que todos esses sonhos se tornem uma realidade para milhares de brasileiros.