domingo, 18 de setembro de 2016

Gêmeos? Trabalho dobrado? Já tem filha?


Sair com os meninos significa muita coisa para nós -- estão bem para tomar vacinas e perto de ter uma vida normal de bebês. Devido à prematuridade esses últimos dias a agenda deles estava super concorrida -- pediatra, vacina, oftalmo, ultrassom, cardiologista e fisioterapia. Os especialistas eram para verificar como eles estavam após a bateria de exames que passaram na UTI. Já receberam alta de todos!!! A fisio, por terem nascido de 7 meses, é recomendável embora apresentem o desenvolvimento compatível com os três meses de vida (completam amanhã 19 de setembro).
Desde que soube da gravidez fico imaginando que estou sendo preparada para participar de um TED Talk. Mas o que tudo isso tem a ver – ser mãe de gêmeos e ainda fazer palestra? Imagine você na sala de espera do seu médico e chega um carrinho de gêmeos. As chances de você perguntar aos pais qualquer coisa é grande, porque apesar de termos muito mais gêmeos no mundo não é a regra geral de toda gestação. As perguntas acontecem e de repente quando percebo já estou dando uma mini palestra sobre gravidez gemelar e como cuidar dos dois. Quando vem a pergunta se são meus primeiros filhos e respondo que tenho uma filha de 4 anos, o olhar das pessoas dizem muito e com certeza isso significa mais perguntas. E não é que me acostumei com isso. Toda vez que saio já sei que responderei diversas perguntas. Talvez algumas perguntas sejam mais invasivas, algumas pessoas ainda me assustam querendo pegá-los mesmo sem nunca ter me visto antes e nem se preocupam em perguntar se estão vacinados – claro que não deixo e nesse momento o mosquiteiro de carrinho funciona muito bem. Confesso que essa nova maneira de encarar o mundo (compartilhando com desconhecidos mais do que eu imaginava na minha vida toda) tem me ajudado a entender sobre comportamento humano e como meus três filhos vieram para mudar meus paradigmas. Apaixonei-me pela gravidez gemelar e em como criar gêmeos que já possuem irmã mais velha.
Tento responder todas as dúvidas e sempre faço questão de salientar  “é mais assustador para quem não tem do que para quem foi agraciado com dois bebês ao mesmo tempo”. Antes de ser mãe de gêmeos também paralisava só de pensar na hipótese de ter dois recém-nascidos. E a primeira pergunta que eu fazia -- você tem alguém para ajudar né? Claro que faz toda diferença ter alguém para cuidar da sua casa, fazer a comida e lavar a roupa, mas é mais fácil do que eu imaginava cuidar dos dois -- mesmo que isso signifique trocar de 14 a 18 fraldas por dia (já são de 12 a 14), preparar 16 mamadeiras (já baixamos para 12) e amamentar a cada 3 ou 4 horas durante o dia e de 5h a 6h durante a noite e madrugada. 
Não tenho planejado quando voltarei estudar, mas tenho certeza que ainda tenho muito que aprender sobre educação e desenvolvimento infantil. Enquanto isso, sigo aprendendo no dia a dia com a vida. 
Às vezes a minha mente faz esse diálogo:
- Renata, mas você só fala de criança, fraldas e coisas da casa?
- Não. Eu consigo ler durante a madrugada. Fiquei fã dos atletas paraolímpicos. Lamentei a morte do Domingos Montagner. Acompanho o cenário político e decidi me preservar neste momento de qualquer debate caloroso sobre o assunto. Leio sobre o Papa Francisco e a Revista Vida Simples mensalmente. 
- Ufa! Estava com medo de ficar bitolada nesta história de mãe e dona de casa.
- Ah consciência que tal deixar o preconceito de lado. Há mais de um ano eu admiro ainda mais quem abre mão do mundo corporativo para se dedicar a família. As mulheres fazem muita diferença em qualquer lugar que estejam inseridas. O importante é estarem bem, felizes e realizadas. E a quem interessar eu nunca usei tanto meus conhecimentos matemáticos desde que parei de trabalhar fora de casa. Primeiro o cálculo da compra para não precisar sair toda hora porque faltou algum ingrediente ou produto de limpeza. Quando os meninos nasceram, calculava quanto de leite precisava tirar e quantas vezes por dia isso seria feito no hospital. Calculava o tempo que tinha para Sofia. Calculava os pacotes de fraldas. E agora calculo a fórmula que complementa o meu leite. Anoto quanto mamaram para saber qual intervalo que terei para fazer as coisas.

- É! Acho que já pode palestrar sobre maternidade, gravidez gemelar e economia doméstica!

domingo, 28 de agosto de 2016

Compartilhar: a minha receita para me aprimorar


Vivemos em um tempo em que expomos a vida na rede social e mal sabemos o nome da vizinha. Compartilhamos a felicidade e deixamos trancado as nossas frustrações, medos e tristezas.
Celebramos as vitórias, fotografamos tudo e depois não sabemos o que fazer com tanta imagem. Faz um tempo que percebi que meu hd tinha tanta foto que ficava difícil editar para fazer os álbuns que adoro imprimir. Comecei a praticar o desapego e escolher o que realmente eu queria eternizar. Para ajudar nesse exercício peguei os meus álbuns da infância e vi que em algumas imagens era possível vivenciar toda a minha história. Não precisava de 10 fotos para cada momento e cada encontro.
Meus filhos me ajudaram a compartilhar mais do que me privar. Quebrei paradigmas. Quando me dei conta a minha história já era conhecida na escola da minha filha, no meu prédio, na mercearia, na papelaria, no cabeleireiro, na farmácia, na loja de bebês, no posto de gasolina, na gráfica digital, na lanchonete natureba em frente ao parque. E eu que sempre quis privacidade de tudo percebi como era bom receber o carinho das pessoas. Eu que sempre defendi que o melhor do Brasil são os brasileiros, percebi que estava fechada nos muros da minha alma e do meu condomínio. Aprendi que compartilhar problemas ajuda muito amenizar a dor e nos proporciona momentos únicos ao recebermos carinho de onde nem esperamos. Tem dias que o olhar da vizinha apenas me lembrando que eu posso contar com ela e o cumprimento de alguém na rua que sabe da minha história faz meu ❤️ se aquecer. A caminhada diária para maternidade me fez refletir como era bom
encontrar essas pessoas no meu caminho. Se estava com pressa as pessoas entendiam e diziam "vai lá levar o seu amor para eles". Quando tinha tempo conseguia atualizar um pouco do que estava acontecendo.
Agora que estamos todos em casa, as minhas saídas são mais restritas e nas duas horas que tenho para resolver a vida como eu gosto de brincar são priorizadas com as atividades da Sofia. E os dias que eu saio acabo sempre encontrando alguém e continuo feliz em receber tanta troca de experiência e de vida! 
Se a gravidez já mostrou que compartilhar é melhor que consumir -- herdei o enxoval dos meus sobrinhos. Depois que os meninos nasceram tive a certeza que a nossa história não pertence apenas a nós mas também a todos que se dedicaram alguns minutos de suas vidas para rezar pela minha família, mandar uma mensagem carinhosa, enviar boas energias. Enfim, aprendi que a troca de carinho acontece se abrimos a porta da  casa e da vida. Lógico que sempre guardarei segredos e manterei certa privacidade, mas com certeza as janelas ficarão abertas para a luz e o amor entrarem.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Artesanato: um mundo exclusivo e cheio de vida

Faz tempo que penso no valor do artesanato. Peças únicas e exclusivas feitas por mãos talentosas. Minha mãe sempre foi uma arteira como nós brincamos. A começar das decorações de nossas festas, tapetes de crochê e agora inventa novas peças em sua máquina de costura. Minhas duas avós também sempre tiveram mãos de fadas para tricotar ou produzir peças lindas de crochês. Bordado, patchwork e pintura. Eu já não tenho o mesmo dom, mas sempre admirei tudo que é artesanal. Não consigo passar por uma feira sem pelo menos gastar um tempo me encantando com as peças expostas nas bancas. Parece que cada produto tem a sua história e carrega uma luz própria que iluminará onde for parar.
            Resolvi escrever este texto porque acredito na transformação da relação mercado e mercadoria. Para conseguirmos sobreviver no nosso planeta não tem como continuarmos produzindo tanto lixo e consumindo sem consciência. Ao colocar isso em prática na minha vida já percebi que diminuímos muito as embalagens. Nem caixa de presente eu compro mais. Aproveito sacolas e o que tenho em casa para também embrulhar o meu carinho. E buscando novas alternativas sempre acho coisas interessantes para deixar a nossa vida com mais significado. O Mercadinho Artesanal é um lugar que com certeza reúne muitas pessoas dentro deste propósito. Conheci produtos incríveis e comprei vários itens para deixar a minha vida mais leve e colorida.
            Eu queria destacar duas artesãs, em especial, pelo carinho e cuidado com o que produzem e a forma como atendem. A Simone, da Flores e mais flores, aproveita vários tipos de materiais para produzir as suas peças e dentro deste propósito criou a minha família em bonecos. Um trabalho minucioso que encantou não só a mim, mas a todos que já viram aqui em casa o resultado final. Quem quiser vale muito a pena conferir os produtos dela. Decidi fazer a propaganda porque da mesma forma em que eu recebi um carinho tão especial ao encomendar com ela, outras pessoas também poderão ter essa oportunidade. Não poderia guardar isso só pra mim. Já a Claudia, do Amore Atelie Baby, realmente me emocionou. Encomendei dois bonecos de pano para Sofia ganhar no dia em que os irmãos nascerem. Eu recebi muito mais que dois bonecos, eu recebi amor, dedicação e um trabalho primoroso. Eu recebi carinho e uma mensagem que guardarei para sempre no meu coração e contarei aos três quando crescerem para entenderem o real valor do artesanato.

            Dicas de onde encontrar tanto amor, talento e peças exclusivas:
Minha mãe aceita encomendas de tapetes. Uma ótima opção para sua casa ou para presentear alguém. A página dela é a seguinte https://www.facebook.com/marcia.c.loureiro.1

Quem quiser conhecer mais sobre o Mercadinho Artesanal acesse a página

Confira o capricho da Amore Atelie Baby --https://www.facebook.com/AmoreAtelie

Valorize o trabalho de quem contribui com um planeta mais sustentável como a Flores e mais flores -- http://www.elo7.com.br/floresemaisflores

Já quem quiser docinhos personalizados indico a FK Doces. Não a coloquei no texto, mas também recebi mais do que um pão de mel personalizado, recebi um carinho exclusivo. https://www.facebook.com/fkdoces/

A Good Smell, eu conheci na primeira edição do Mercadinho Artesanal e me apaixonei pelo que ela produz. Já fiz várias encomendas. https://www.facebook.com/Good-Smell-Mimos-Artesanais-357058457650805/

A Adocicada deixa a nossa vida mais doce já faz alguns anos. https://www.facebook.com/adocicadadoces

Modos de Mocinha é uma ótima opção para quem gosta de bolsas, bolsinhas e carteiras exclusivas.


            Para encerrar as minhas propagandas gratuitas -- como já disse resolvi compartilhar porque em um mundo que parece ser tão cinza existe muita luz a ser descoberta e todas essas pessoas que eu indico são iluminadas e transformam os seus talentos em experiências únicas para quem compra delas. O Bazar Maria Helena é um novo espaço para adquirir peças e materiais para produzir a sua arte.
https://www.facebook.com/bazarmariahelena






sábado, 30 de abril de 2016

Mais um capítulo da série “coisas que nunca imaginei para minha vida”


Com certeza 2016 é o início de uma nova fase, um ano cheio de boas surpresas para não dizer sustos emocionantes. Começou no dia 6 de janeiro descobrindo a minha gravidez gemelar.
            Nesses mais de cinco meses de gestação conheci não só um novo mundo, mas uma nova Renata. Como foi importante ter decidido parar a minha loucura para vivenciar a experiência de ser uma mulher do lar, para usar o termo da moda. Uma mulher do lar que aprendeu a valorizar todas as outras que escolheram ficar em casa ou simplesmente não tiveram opção de ir ao mercado de trabalho. Eu no auge dos meus 30 e poucos anos nunca tinha considerado essa possibilidade porque na minha cabeça eu sempre estudei para ganhar o meu dinheiro, ter a minha independência e conquistar o meu espaço. Mas a vida ensinou que dinheiro pode ser compartilhado, aceitar ajuda faz parte deste meu aprendizado, e administrado de diversas formas a começar escolhendo onde gastar; independência não é sinônimo de ficar fora de casa e sim estado de espírito; e o meu espaço pode ser conquistado dentro ou fora de casa porque não importa o que eu faça o meu poder de raciocínio e as minhas indagações sempre irão me acompanhar.
            O fato de ter parado tudo o que havia conquistado no ano passado fez com que eu realmente vivenciasse algo que pode parecer do século passado – almoçar em casa com meu marido e nossa filha todos os dias; cuidar da minha família e da minha casa em tempo integral; voltar a estudar depois de 15 anos trabalhando com algo que era apaixonante. Ao juntar tudo isso, percebi que não era nada do século passado porque hoje temos a liberdade para escolher não limpar a casa e pegar um livro para ler. Cozinhar o que quisermos porque meu marido não vai achar que fui relapsa ou preguiçosa, pelo contrário ele sempre me agradece por estar aqui cuidando dos nossos bens mais preciosos – os nossos filhos, no momento os de dentro e a nossa pequena de quatro anos. Não preciso dar satisfação para sociedade pelas minhas escolhas porque elas fazem parte do meu eu, embora pelo que tem parecido a nossa sociedade precisa ainda evoluir muito em questão do respeito às escolhas e divergência de pensamentos (essa parte ficará para um próximo post).
            Toda essa introdução foi para contar a minha reação depois do susto emocionante vivenciado após mais de quatro meses da descoberta que tenho dois lindos anjinhos dentro de mim. Dia 25 de abril fui fazer mais um ultrassom para ver se os bebês estavam bem, medir os órgãos deles. Com a gravidez gemelar aprendi que parte da minha vida se tornou pública mesmo que eu não queira. Todos querem saber dos bebês, o sexo, os nomes, fez tratamento, têm casos na família, ai Meu Deus que tamanho ficará sua barriga, quando vai nascer, ah gêmeos sempre adiantam... Na sala de espera da clínica, algumas dessas curiosidades apareceram e eu disse que estava esperando um casal – Maria Isabel e João Miguel. Quando entrei para fazer o ultrassom, a médica no início do exame disse “Renata estou vendo dois peruzinhos aqui, não é um casal.” Eu, depois de 5 segundos, tem certeza doutora? Ela, com toda tranquilidade que lhe é peculiar e por isso gostei tanto dela me disse, não tenho a menor dúvida, estão bem claro que as duas genitálias são masculinas.      Passei 1h20 vendo os meus bebês sendo examinados e pensando em como contar a mudança ao meu marido, à minha filha, aos nossos pais, nossos irmãos, cunhados, tios, avós, enfim para todos que já tinham comemorado comigo a vinda de um casal.
            Filha de engenheiro que cresceu programando a vida, quem me conhece sabe disso, receber uma notícia dessas depois de já ter passado mais da metade da gestação é porque realmente eu precisava em 2016 passar por um choque de comportamento. Muitas coisas eu acredito que ainda valem a pena programar, como a parte financeira de uma casa, uma viagem, mas com filho e agora com a chegada de dois ao mesmo tempo, o importante é estar pronta para todas as mudanças que acontecem no percurso. Ao invés de cinco dias e olhos arregalados como foi com a notícia da gravidez gemelar, passei só dois! Ponto para minha maturidade e aceitação de que planejar é preciso, estar pronta para mudar a rota é essencial para uma vida mais leve!
            E os nomes? João Miguel e José Carlos. Que venham nossos anjinhos com muita saúde para alegrar as nossas vidas e deixar nossas vidas diferente de tudo que imaginamos. Afinal eles só contribuem cada dia mais para eu entender que muitas coisas que nunca imaginei para minha vida são muito melhores das que eu sonhei a vida inteira!

sábado, 12 de março de 2016

Instituto São José: 90 anos de valores, história e educação


O prédio chama atenção pelo tamanho. O espaço realmente é privilegiado. Uma infraestrutura, como poucas escolas, que permite o desenvolvimento integral de quem estuda no Instituto São José. Apesar de toda grandiosidade e  espaço maravilhoso, com certeza o que sempre marcou a minha vida escolar não foi a infraestrutura, mas sim as vivências, os valores e o carisma salesiano. O corpo docente também contribuiu para a minha formação pessoal e a forma como encarei a vida, superei os meus problemas e enxerguei o próximo em qualquer área por onde passei. Agradeço aos meus pais por terem feito muitos sacrifícios para proporcionar a melhor educação que poderia receber.
            Mesmo depois de 17 anos, me lembro das aulas, das matérias dadas, da metodologia, das experiências e das pessoas que entraram na minha vida e nunca mais saíram. São tantas memórias dentro da sala e fora dela que me enchem de alegria só de pensar: correr no redondo, brincar na casa de boneca, sentar no tapete para brincar, ouvir as histórias do Bom Dia, aulas de música com a irmã Neide, parque de areia, coroação de Nossa Senhora. Mudar para o “cumprido”, comprar lanche na cantina, entrar na capela, dançar quadrilha, pular elástico, aprender fração com um bolo de cenoura e cobertura de chocolate, amarelinha, apresentar teatro, descobrir o mundo das letras e alegria em ler os primeiros livros. Pré-adolescente, mudança para o Zezão. Novos amigos, geometria, física, química, cama elástica, Olimpíadas do Instituto, amistosos entre escolas, campeonato entre escolas salesianas, viagem para o NR, história, Renascimento, filosofia, magistério. E quem diria que eu iria trabalhar no NR como monitora por três anos e esperar setembro para poder receber os alunos do Instituto São José e os professores queridos.
            Passaram-se 16 anos e retorno para esse mundo especial que ocupa as boas lembranças da minha infância e adolescência. Dessa vez confiando a educação da minha filha de três anos. Volto justamente no ano (2015) em que comemorou o Bicentenário de Dom Bosco -- ele que veio para mudar a história dos jovens e priorizou a educação. Quando veio a Nossa Senhora Auxiliadora visitar nossa casa me emocionei porque ela coroou a minha infância e tive o privilégio de tê-la coroado enquanto estudante. Ao ver minha pequena de anjo não contive a emoção porque pra mim isso tem um significado muito grande. A festa da Família foi no mesmo dia que comecei a Faculdade de Pedagogia. Voltar ao Instituto foi a luz que eu precisava para mudar a minha vida e retornar ao mundo da educação depois de tanta experiência como jornalista.
            Hoje celebramos 90 anos do Instituto São José em uma missa especial. Especial para mim que tenho fé no poder transformador da educação para uma sociedade mais justa e fraterna. Especial para minha família que sempre confiou a nossa educação ao carisma salesiano. E especial para Sofia que foi uma das crianças escolhidas para levar rosas brancas. A escolha significou muito para nós -- fé e gratidão! Mesmo escrevendo tanto me faltam palavras para descrever a participação nesta festa tão importante para quem vivenciou 14 anos da vida neste mundo de quem construiu a sua história com foco na  educação.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando mais de um coração bate dentro de você



Olhos arregalados, coração acelerado, lágrimas nos olhos, risada, emoção. Medo, amor maior que o peito, ansiedade, gratidão, reviravolta, mudança e a certeza que Deus existe.
Não são apenas palavras para descrever sensações. Essas são as palavras que marcaram o início de 2016. Um ano que com certeza mudará não só a minha vida como a de todos que convivem comigo, de perto ou de longe.
Sem saber o que estava por vir fiz um post na minha página da rede social  --Feliz Ano Novo! Para que a vida seja mais leve, simples, alegre! E que os abacaxis que estão por virem sejam doces como esses que ganhei! A cada tempestade é preciso lembrar do arco-íris que colore o céu e encanta quem acredita na magia de transformar os desafios em crescimento e conquistas!
A inspiração do texto foi motivada por saber que estava gerando uma nova vida. Nosso presente de Natal, uma graça sem palavras para agradecer. Mas foi no dia 6 de janeiro que a minha vida ganhou tantos sentimentos, sensações e com certeza a maior prova que Deus nunca me abandonou. Fecho os olhos e lembro da imagem no ultrassom – ao invés de um embrião, apareceram dois. O medo em ouvir ou não o coração logo foi tomado pela emoção de ouvir dois corações batendo. Naquele segundo eu soube que nunca mais seria a mesma. A gestação começou a mostrar que as emoções com certeza seriam dobradas. De italiana emocionada passei a chorar por tudo. Chorar em ver um desconhecido no sinal pedindo trocado e eu não ter algo a oferecer. Chorar porque alguma criança no período de adaptação ficou chorando na escola, mesmo a minha filha tendo entrado feliz da vida. A lista e os exemplos são tantos que se for colocar corre o risco de chorar mais um pouco. Sem falar nos cuidados dobrados e na reação das pessoas.
Por falar em reação das pessoas, aprendi a dar a notícia de uma forma mais emocionante. Primeiro falo que estou grávida. Faço uma pausa. E só depois anuncio que são gêmeos. Observar como cada um reage virou uma das minhas diversões.
Talvez eu nunca consiga expressar a alegria, a emoção e a gratidão que sinto por receber esta bênção em gerar duas vidas. No começo tive medo, mas não passei nenhum dia sem agradecer a Deus por confiar tamanha responsabilidade. Não que agora o medo passou, porém está camuflado por tanto amor que meu peito carrega a cada dia. Ser mãe foi uma escolha minha. Tentar outro filho também. É a realização de um sonho de criança -- construir a minha família, ter a casa cheia. Descobrir com as crianças a simplicidade da vida com certeza tem sido a grande lição desde o nascimento da minha anjinha, companheira, a adorável Sofia. Mesmo sabendo e entendendo o poder da maternidade na vida da mulher, não acho que toda mulher precisa ser mãe para ser feliz porque cada um encontra a felicidade em lugares, momentos e sentimentos diferentes. Eu fiz escolhas conscientes sobre a maternidade e por isso no meu caso garante a minha realização como pessoa, como mulher.
Voltando àquele segundo de ouvir os dois corações, eu sabia que meus planos, minhas viagens mentais e o planejamento do ano estavam todos furados. Ao mesmo tempo em que a minha vida começava a se transformar totalmente, eu sentia mais do que nunca a perfeição dos planos de Deus.
A mudança começou ano passado, quando larguei tudo para ter mais tempo com a minha filha e voltei ao mundo da educação por acreditar ser o caminho para construção de uma sociedade melhor. Agora terei a oportunidade de colocar tudo isso em prática com mais dois anjinhos enviados por Deus para aumentar a família não só em tamanho, mas com certeza em amor, alegria, aprendizado e sabedoria.
Seria muito cruel acabar aqui sem mencionar que tudo isso só tem sentido porque escolhi a melhor pessoa do mundo para estar ao meu lado. Há 10 anos nos permitimos começar um relacionamento que já gerou um fruto lindo, muitas conquistas e a comunhão de nossas vidas. Que venham mais dois frutos para aquecer nossos corações, nos deixar sem dormir, de cabelos brancos e repletos de orgulho a cada novo gesto, passo e descoberta! Obrigada por acreditar na nossa história quando tudo ainda parecia um céu encoberto cheio de trovões. Mais uma vez alcançamos o arco-íris!

Realmente acredito na luz do arco-íris depois das tempestades! Que venham as mudanças e a casa cheia!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Um reencontro especial



De repente o olhar dela estava distante, parecia que a alma não habitava mais aquele corpo. As ações eram quase que mecânicas. O sorriso não saía dos lábios porque esta era uma característica peculiar dela desde criança. O fardo estava pesado, as costas pareciam carregar o mundo. E foi assim com a alma fora do corpo que ela conseguiu se observar.
Ela percebeu que suas ações pareciam desconexas. A sua vida estava indo para um caminho diferente do que esperava e os seus sonhos pareciam confusos com desejos. Mas sonho não é um desejo? Para ela não. Desejo era algo mais fácil de ser alcançado e mudava conforme a vida caminhava. Embora os desejos de ser uma pessoa melhor e ser feliz sempre estiveram presentes. Para ela, o sonho sempre significou um projeto de vida. O sonho era a realização plena e a sensação de estar viva. O sonho não mudava conforme o clima, mas a trazia para um mundo melhor e com mais fé.
Ao se distanciar um pouco dos seus pensamentos, ela olhou para o lado e levou um susto. Quem era aquela pessoa sentada no sofá pensando? Onde estavam os sonhos daquela menina que se tornou mulher? E ela se deu conta que o seu cansaço era maior do que o normal porque ela precisava de muito mais energia para manter-se nas funções que a vida exigia do que as que ela de fato gostaria.
Ela não estava infeliz, apenas perdida. Ela não estava arrependida dos caminhos escolhidos até então, porém sabia que tinha chegado o momento de mudar a rota e buscar outro destino. Alguma coisa dentro dela dizia que era preciso marcar um reencontro. Um reencontro com quem?-- logo ela se indagou. Com o passar do tempo, percebeu que o reencontro era com ela mesma, com os seus sonhos e com a sua trajetória. Não foi uma tarefa fácil decidir qual caminho seguir, mas depois que buscou dentro de si o que a deixaria feliz no presente e no futuro a missão foi concluída. Embora deixar uma carreira consolidada pareça uma árdua decisão para ela isso foi natural. Natural como trocar de roupa ou escovar o dente? Sim, ela sabia que aquela roupa era linda e a fazia feliz, mas já estava gasta com o tempo. E por que essa história de escovar o dente? Desde criança você aprende que escovar o dente é essencial para sua saúde bucal e para quem quer continuar sorrir para vida não existe algo mais natural do que essa ação diária. Ela sabia que sua decisão teria um preço financeiro, um preço social e um preço interno em como trabalhar tudo isso sem deixar que as escolhas continuassem no processo natural. Ás vezes, a nossa mente trabalha meio na contramão para nos testar. A mesma mente, que tomou todas as decisões e agiu naturalmente a elas, consegue promover questionamentos internos inimagináveis. Nesses dias de auto sabotagem ela algumas vezes chorou, outras silenciou, mas sempre rezou e jamais perdeu a fé de promover o tão sonhado reencontro com os seus sonhos e a sua paz interior.
De repente ela olhou aquela moça sentada pensando e se reconheceu. Ela sorriu para ela, deu a mão e disse – você não está sozinha. Eu estou aqui para me reencontrar com você e buscar um novo caminho. Não precisa mais brigar com sua alma, ela está aqui prontinha para encarar os novos desafios.