terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Em busca da maturidade na fé

Cada ano que passa novos aprendizados ficam. Cada Natal que chega é a esperança do nosso nascimento para uma vida nova. E em 2014 isso não foi diferente. Eu poderia passar o ano e não escrever este texto, mas isso não deixaria o meu ano completo.
Pela primeira vez, nos meus 34 anos, decidi ficar um ano sem comer chocolate porque entendi que essa penitência seria necessária para minha maturidade na fé.  Fiz isso para que Deus me mostrasse alguns caminhos importantes ao longo do ano. Não precisaria prometer nada, Ele sempre me mostrou o rumo que deveria seguir. Desde pequena entendo que a oração é o meu diálogo com Deus e Ele nunca me deixou na mão, mesmo nas situações mais difíceis. Apesar de nada ser cobrado em troca, eu acredito que é preciso abrir mão de algumas coisas para as minhas conquistas e por isso estou cumprindo a minha decisão de ficar sem chocolate até março.
As respostas estão chegando, algumas mais diretas e outras precisaram um pouco mais de paciência para entender, mas o principal foi busca da minha maturidade na fé. Minha fé é a minha luz da vida, sempre rezei e ainda preciso avançar muito para chegar perto do ideal.
No dia do meu aniversário eu fiz um balanço mental e sorri para vida, mais uma vez, agradecida por tudo. Durante o Advento venho me preparando para receber Jesus em minha casa e na minha vida de novo -- com a certeza que esta luz vinda no dia 25 é o meu alimento para continuar buscando fazer uma Renata melhor. Todos os anos faço isso, mas parece que esse ganhou um sentido especial. Ter fé significa acreditar que para Deus nada é impossível.  E se não acontecer como você sonhou persista porque o tempo Dele não é o mesmo que o nosso.
Hoje não vou contar nenhuma história em especial. Ainda aguardo algumas respostas, mas o dia que eu entender todas irei compartilha-las o balanço deste ano pascoal (penitência iniciada na quaresma) que escolhi viver.

Em tempo, ainda tenho muito o que caminhar na fé. Resolvi escrever o texto só para compartilhar a importância da oração para vencer os desafios diários da vida. Feliz Natal! Que Jesus nasça em nossos corações para trazer uma vida nova (aos que não são cristãos desejo muita luz sempre) e que 2015 venha cheio de alegria, conquistas e amor!

domingo, 19 de outubro de 2014

Em busca de novas histórias, encontro preciosidades da vida de diversas pessoas

Em uma época de falta de credibilidade na grande imprensa, eu tenho certeza que escolhi a profissão certa. Faz 14 anos que trabalho com jornalismo e desde que me conheço por gente gosto de escutar histórias. Quando criança, ficava atenta na conversa dos adultos e aos poucos fui descobrindo como achar boas histórias: ter paciência, ir para rua e escutar as pessoas. Elas sempre têm o que contar e eu, o que aprender.
Faz  pouco mais de nove anos que eu coleciono histórias que me ajudam a ser uma pessoa melhor. Nesse tempo vi coisas que pareciam simples pra mim, que sempre tive casa própria (primeiro dos meus pais, depois do meu marido e agora a nossa), acesso à educação privada e nunca passei fome, ganharem uma dimensão real ao conviver com os que não tiveram as mesmas oportunidades. Numa época em que a classe política está desacreditada, me sinto na obrigação de dizer que não podemos colocar todas as pessoas no mesmo saco, de que político nenhum presta. Me sinto na obrigação de contar que faço parte de um projeto que transforma a vida das pessoas. A primeira vez que participei de uma entrega de casas populares agradeci a Deus por estar ali e poder ver no rosto dos pais o orgulho em proporcionar um teto para seus filhos. Pais trabalhadores como os meus, mas que até então não tinham a segurança de terem uma casa para chamar de "nossa".
Eu desde criança aprendi a conviver e respeitar as pessoas pelo que elas podiam contribuir na minha vida e não julgar pelo que tinham em casa. Já tive vergonha de falar onde morava, porque meu amiguinho de catequese dividia o quarto com cinco irmãos. Ter crescido em uma comunidade mais simples do que os meus padrões me fez aprender que nem todos tiveram as mesmas oportunidades na vida. E também me fez brincar de amarelinha, pique-bandeira, esconde-esconde, pega-pega na quermesse com os filhos dos amigos de meus pais que não tinham os mesmos brinquedos que eu e minhas irmãs. Todos felizes esperavam a massa de pastel frita chamada de mentira, o açúcar queimado da maçã do amor. Todos eram iguais e felizes com as brincadeiras inventadas.
Voltando às minhas entrevistas. O tão questionado bolsa-família é a garantia da comida para que as crianças possam estudar. Ao contrário do que muita gente acha, existem inúmeros projetos que ensinam as mães, os pais e os jovens "a pescarem" como gostam de falar. Existem oficinas de artesanatos e as mães se orgulham de aprender e vender os seus produtos. Elas não querem que os filhos tenham o mesmo futuro que o delas e por isso levam os adolescentes para participarem dos cursos de capacitação. Pronatec é, às vezes, o primeiro contato que essas famílias têm com a qualificação profissional.  Ouvi muitas mães falarem orgulhosas de como os seus filhos estão indo na escola e já entrevistei muita gente da terceira idade aprendendo a ler e contando o que isso significa na vida delas. É uma conquista que talvez seja difícil de imaginar para quem sempre teve acesso às letras. E o brilho nos olhos de quem poderá estudar no Instituto Técnico Federal? Escola nova, gratuita e com cursos que o mercado precisa. Orgulho do pai e da mãe pelo filho que entrou no vestibular. Uma das primeiras matérias que eu fiz em Jacareí, que me marcou profundamente, foi de um ex morador de rua ter conseguido se recuperar do vício e voltado para casa. Ele iria passar o Natal com a irmã e o sobrinho depois de tanto tempo nas ruas.
São tantas histórias que a cada entrevista agradeço a Deus por estar ali. É uma gratidão imensa, porque sinto que a minha vontade em mudar o mundo quando escolhi ser jornalista é viável com projetos sociais. Vivo "do outro lado do balcão", como dizem os jornalistas para os assessores de imprensa. Vivo aprendendo que o mundo pode ser melhor se cada um fizer a sua parte. Vivo acreditando nas pessoas e na capacidade que elas têm de se reinventar, de se reerguer. Vivo, escrevo e acredito que o Brasil hoje está melhor do que antes e ainda é preciso muita educação para acabarmos com os resquícios da colonização que sofremos.
Se você chegou até aqui e está se perguntando "legal, mas e a corrupção, o que você tem a dizer?" Eu tenho certeza que precisa ser combatida sempre, independentemente da situação, do partido. Por isso sou contra o "gatonet", recibo frio de médico para aumentar restituição do IR, furar fila. Tento ensinar a minha filha que amor, respeito, humildade são valores que não podem ser perdidos nunca na vida. É assim que vamos construir um país mais justo e igualitário para se viver. Do mesmo jeito que sonho com um futuro melhor para ela, sonho para que todos possam ter as mesmas oportunidades que eu tive.

Voto na Dilma consciente que é o melhor projeto para que todos esses sonhos se tornem uma realidade para milhares de brasileiros.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Democracia e liberdade – história de família

Primeiro um convite para uma solenidade que homenagearia o avô – ex-vereador e cassado pela Ditadura. O assunto nunca foi tema de almoços de família e olha que a família italiana costumava sempre se reunir aos domingos. Talvez o bloqueio de quem viveu na pele ter direitos cassados, ter sido preso sem saber o motivo. Os filhos, cada um tem o seu olhar e as suas memórias de infância em ver o pai indo embora num jipe e voltar apenas um, dois ou três dias depois. E a esposa, firme e reservada. Ou seja, o assunto parecia morar dentro de cada, mas sem nenhum comentário em comum. Memórias, experiências, indignações e um contexto político que hoje ganhou uma nova página para reescrever essa história.
Receber novamente os direitos políticos, mesmo depois de ter despedido desta vida, e o diploma de um mandato que nunca pode ser concluído foi uma nova página para essa família. Entender a emoção de cada um, não tenho essa pretensão. Agradeço por estar ali, vivenciando junto com quem esteve ao lado dele que perdeu muita coisa por acreditar que poderia construir uma vida melhor para muitos joseenses. Agradeço por estar ali e ver a emoção de quem caminhou por quase 50 anos ao lado de quem sempre acreditou que ajudar o outro é a melhor maneira de passar por essa vida. Agradeço por estar ali e ver os filhos, a mulher e os irmãos receberem pela primeira vez o documento da cassação. Agradeço por estar ali, simplesmente porque hoje vivemos em uma democracia e a liberdade de expressão permite que essa história seja reescrita de uma nova maneira.
Vô, hoje foi mais um dia que eu tive muito orgulho de quem você foi. E ver a vó e os seus filhos emocionados mostram o quanto eles ficaram felizes por esse reconhecimento social. Na verdade eles sempre souberam da sua inocência, do seu amor pela cidade e da sua vontade em mudar a vida das pessoas. Você foi político quando não havia subsídio e deixou de ser sem saber o motivo. Hoje recebemos o seu direito de volta e isso significa reforçar o quanto é importante exercer nossa cidadania para construir um mundo melhor não só para os seus bisnetos, mas para todos -- principalmente buscar construir uma sociedade mais igualitária e justa. Ah, vô, os seus irmãos estiveram lá. Eles também têm muito orgulho da sua trajetória – o tio Caio não foi, mas ele com certeza ficou feliz com essa correção na sua história. A Ana Carolina e eu representamos as suas netas, afinal não é para qualquer um ter seis netas!!! Vô que saudade de te dar um beijo na cadeira de balanço, a vó a preserva até hoje e a Sofia adora sentar lá para balançar como fazíamos... as novas gerações continuam repetindo os pequenos hábitos...

Vô, por favor continue cuidando de cada um daí de cima e um beijo grande de quem o tem no coração, na memória e na casa para sempre!

domingo, 11 de maio de 2014

Quando eu acordei mãe...

Perdi o sono e dessa vez não foi por causa do choro da minha filha. Perdi o sono por uma mistura de sentimentos e o maior deles é a gratidão. Gratidão por ter uma mãe como a minha que me ensinou o que é ser mãe, o que é ter amor de mãe. Minha mãe não é perfeita, ela é de carne e osso, ela erra, ela é brava -- hoje em dia super boazinha porque os netos chegaram e ganharam uma avó cheia de mimos --, mas com certeza é a melhor mãe que eu poderia ter. Foi com ela que passei os melhores e os piores momentos da minha vida e será assim até a eternidade. Gratidão por receber a missão de criar uma filha meiga, inteligente, linda e amada. Ser mãe da Sofia Maria é um aprendizado diário, mais pra mim do que pra ela com certeza. Gratidão por ter ao meu lado quem eu sempre sonhei para compartilhar os desafios da vida e celebrar a vida.
Estou aqui escrevendo e pensando quando eu acordei mãe?  O dia que eu descobri estar grávida? O dia em que eu entendi mais do que nunca que os planos de Deus têm tantos ensinamentos e nada na sua vida é como você planeja exatamente? O dia que a Sofia nasceu? Acordei mãe quando entendi que o amor por um filho é maior que a sua vida, que a sua história e que não há nada no mundo que supere esse amor. Esse dia foi único. Foi meu. Ou melhor, foi nosso – com minha mãe ao me lado e me ensinando.

Ser mãe é a capacidade total de doação. Tenho certeza que muitas pessoas têm essa capacidade e desenvolvem esse amor com filhos que a vida apresenta ao longo de suas histórias. Gerar com certeza não significa ser mãe, ser mãe é muito mais que uma gestação – ser mãe é amar incondicionalmente e para isso não precisa de nove meses, pois existem outras formas de descobrir essa vocação.