domingo, 20 de dezembro de 2015

Um reencontro especial



De repente o olhar dela estava distante, parecia que a alma não habitava mais aquele corpo. As ações eram quase que mecânicas. O sorriso não saía dos lábios porque esta era uma característica peculiar dela desde criança. O fardo estava pesado, as costas pareciam carregar o mundo. E foi assim com a alma fora do corpo que ela conseguiu se observar.
Ela percebeu que suas ações pareciam desconexas. A sua vida estava indo para um caminho diferente do que esperava e os seus sonhos pareciam confusos com desejos. Mas sonho não é um desejo? Para ela não. Desejo era algo mais fácil de ser alcançado e mudava conforme a vida caminhava. Embora os desejos de ser uma pessoa melhor e ser feliz sempre estiveram presentes. Para ela, o sonho sempre significou um projeto de vida. O sonho era a realização plena e a sensação de estar viva. O sonho não mudava conforme o clima, mas a trazia para um mundo melhor e com mais fé.
Ao se distanciar um pouco dos seus pensamentos, ela olhou para o lado e levou um susto. Quem era aquela pessoa sentada no sofá pensando? Onde estavam os sonhos daquela menina que se tornou mulher? E ela se deu conta que o seu cansaço era maior do que o normal porque ela precisava de muito mais energia para manter-se nas funções que a vida exigia do que as que ela de fato gostaria.
Ela não estava infeliz, apenas perdida. Ela não estava arrependida dos caminhos escolhidos até então, porém sabia que tinha chegado o momento de mudar a rota e buscar outro destino. Alguma coisa dentro dela dizia que era preciso marcar um reencontro. Um reencontro com quem?-- logo ela se indagou. Com o passar do tempo, percebeu que o reencontro era com ela mesma, com os seus sonhos e com a sua trajetória. Não foi uma tarefa fácil decidir qual caminho seguir, mas depois que buscou dentro de si o que a deixaria feliz no presente e no futuro a missão foi concluída. Embora deixar uma carreira consolidada pareça uma árdua decisão para ela isso foi natural. Natural como trocar de roupa ou escovar o dente? Sim, ela sabia que aquela roupa era linda e a fazia feliz, mas já estava gasta com o tempo. E por que essa história de escovar o dente? Desde criança você aprende que escovar o dente é essencial para sua saúde bucal e para quem quer continuar sorrir para vida não existe algo mais natural do que essa ação diária. Ela sabia que sua decisão teria um preço financeiro, um preço social e um preço interno em como trabalhar tudo isso sem deixar que as escolhas continuassem no processo natural. Ás vezes, a nossa mente trabalha meio na contramão para nos testar. A mesma mente, que tomou todas as decisões e agiu naturalmente a elas, consegue promover questionamentos internos inimagináveis. Nesses dias de auto sabotagem ela algumas vezes chorou, outras silenciou, mas sempre rezou e jamais perdeu a fé de promover o tão sonhado reencontro com os seus sonhos e a sua paz interior.
De repente ela olhou aquela moça sentada pensando e se reconheceu. Ela sorriu para ela, deu a mão e disse – você não está sozinha. Eu estou aqui para me reencontrar com você e buscar um novo caminho. Não precisa mais brigar com sua alma, ela está aqui prontinha para encarar os novos desafios.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ex-jornalista, existe?



- Você mudou de profissão?
- Eu deixei de exercer o jornalismo como profissão e resolvi realizar um sonho antigo, o de me tornar professora. Fiz magistério, já trabalhei como monitora de acampamento e agora voltei para universidade. É uma delícia estudar aos 35 anos com toda bagagem adquirida, inclusive depois de ter feito tantas matérias sobre educação e ter acompanhado projetos interessantes de perto.
- E você não sente saudade do frio na barriga da pauta de cada dia?
- Adorava sentir esse frio na barriga. Gostava muito de ir para rua e conhecer a realidade das pessoas. Muitas vezes já tinha o texto pronto na cabeça e uma frase de alguém permitia que eu recriasse tudo. Ouvir as pessoas e me transportar ao mundo delas sempre me encantaram no jornalismo. Tenho várias histórias guardadas com carinho no coração. Escritas e publicadas são incontáveis, mas realmente algumas mudaram o meu modo de ver a vida e enxergar o outro. Parece bobagem falar isso hoje em dia onde tudo acontece dentro das redações enxutas e com tempo escasso para grandes pesquisas, mas a pauta sempre esteve e estará na rua. Pode ser na sua rua, na do vizinho ou na do outro lado do mundo. Mas a pauta está onde vivem as pessoas, onde é possível escutar e relatar a vida de quem tem muito a contar. As pessoas têm direito de reclamar, a imprensa de divulgar e cobrar uma solução. Pela minha experiência as pessoas têm muito mais coisa para contar e ensinar do que reclamar. Acredito que essa é uma falha estrutural da nossa imprensa. Com o avanço da tecnologia a sensação que fica é que todo mundo só quer reclamar. Penso que poderia ser ao contrário – destaque aos bons exemplos e um espaço de cobranças. O Brasil é rico em diversidade cultural e pessoas que na história da vida superaram obstáculos. São tantos relatos de superação que talvez nenhum CEO tenha essa habilidade em vencer com tão pouco recurso como muitos brasileiros venceram. Gosto de citar sempre a Eliane Brum. Uma jornalista que não deixou de exercer a profissão. Busca nuances diferentes para o que é martelado diariamente. Enxerga o ser humano com suas riquezas e mazelas, nas suas pequenas conquistas ou na superação de uma vida toda.
Voltando a sua pergunta. Não sinto mais essa vontade de ter esse tipo de adrenalina diária. Fui muito feliz durante os 15 anos em que me dediquei ao jornalismo, mas um dia eu percebi que precisava mais. Eu me dei conta que meus sonhos iam além da escrita e das pautas. A minha inquietação era grande e fui buscar no meu passado a minha alegria em ensinar e ajudar na travessia do conhecimento. Hoje percebo que para me tornar a professora que eu desejo o jornalismo foi fundamental, porque me permitiu conhecer um mundo distante do que era o meu. Eu consegui me conectar com a realidade de inúmeras pessoas o que me fez entender a importância de vivenciar e conhecer o mundo do aluno para ensinar. O jornalismo me transformou e serei eternamente grata a cada pauta e cada pessoa que entrevistei, observei, fotografei e trabalhei.
- E quando perguntam a sua profissão, o que você responde?
Essa pergunta é a que eu não queria responder. Eu ainda estou no processo de transição. Já sei que não quero mais trabalhar como jornalista, mas ainda não consigo responder estudante de Pedagogia. Talvez precise ainda de mais alguns dias ou meses para desapegar totalmente. Por isso depois de tanto brincar que sou ex-jornalista, acredito que uma vez jornalista sempre jornalista -- mesmo que essa não seja mais a profissão que trará o meu sustento. Com certeza a inquietação é resquício das perguntas que sempre gostei de fazer, a mim mesma e aos outros em cada história que ia contar.


A quem interessar -- conversa realizada mentalmente durante uma das minhas caminhadas matinais.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

E se eu fosse eu de outro jeito?



Mudar. Ter paciência. Ser uma pessoa melhor. Viajar. Algumas das minhas anotações em lugares diversos ao longo desse ano. Não era em papel de pão, mas em vários bloquinhos que transitavam nas minhas bolsas – não que eu tenha 20, as quatro que eu usei ao longo desse ano sempre tinham um caderninho e uma caneta.
A música “Paciência”, do Lenine, foi escolhida a dedo para ser a música dos meus 34 anos.

“Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para”

E foi um dia ao levar a minha filha para escola que eu me dei conta que quem precisava parar era eu. Mas como fazer isso se o mundo me acelerava e eu já não conseguia imaginar uma vida diferente? Minha alma estava inquieta e a paz parecia distante. A fé sempre me motivou a buscar o melhor de mim e das pessoas, talvez por rezar tanto que consegui enxergar e ter a coragem necessária para parar.

“Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara”

A vida é rara e eu bem sei disso. Eu que já perdi uma vida dentro de mim sei exatamente o que isso significa. E com esse presente divino que é celebrar a vida, mesmo com as cicatrizes que ganhamos ao longo dela, lembrei dos meus sonhos juvenis.  Senti o desejo de mudar algo que parecia imutável e percorrer novos caminhos porque eu precisava recusar essa pressa, essa aceleração.

“Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência”

Eu não queria mais fingir que aquilo tudo era normal, eu não queria mais fingir ter paciência, eu precisava resgatar a paz interior e buscar a cura para minha vida real.

“O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência”

E o que esperar do mundo? E o que esperar da vida? Um frio na barriga e um medo não podiam me paralisar. Eu precisava tentar, eu precisava mudar, eu precisava recalcular a minha rota e achar um novo destino.  Eu precisava ter paciência comigo e com os meus sonhos.

“Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara”

É difícil perceber que precisamos perder tempo conosco. Mais difícil que perceber, é aceitar a importância em perder esse tempo. Fica a dica para quem não assistiu ainda o Tarja Branca. O ator Domingos Montagner coloca muito bem a importância em perder tempo, em ficar quieto, em parar para não pensar em nada. Quando aceitamos essa condição do ócio na nossa vida conseguimos mudar a nossa relação com o tempo. Não precisa ficar no ócio o dia inteiro, mas alguns minutos que seja sem celular, sem computador, sem televisão faz muita diferença no dia. Eu medito muito menos do que deveria, mas busco cada vez mais colocar isso na minha rotina para perder tempo comigo diariamente.

E se alguém me contasse no final do ano passado, assim que eu tivesse completado meus 34 anos, que quando fosse fazer 35 passaria o dia em casa com minha família e não estaria trabalhando, eu com certeza iria dar uma grande gargalhada. E se alguém me contasse que um dia por decisão própria eu pararia a minha loucura e ficaria em casa por um tempo indeterminado, a minha resposta seria “jamais faria isso, não nasci para ficar cuidando da casa”. E se alguém um dia me contasse que eu voltaria para sala de aula em busca do meu sonho de adolescente, eu daria um sorriso e responderia “até que isso não seria uma má ideia, mas com certeza isso faz parte do meu passado”.


Nada como a maturidade e o tempo para mostrar que as nossas verdades, as nossas decisões são passageiras. E a graça da vida é olhar para traz e ver que ainda bem que eu mudei, penso e ajo diferente. Ainda bem que eu não tenho medo de assumir os meus erros passados e mudar as falas que não cabem mais na minha vida. Ainda bem que eu continuo sonhando e me transformando. A busca em ser uma pessoa melhor é constante. Viajar sempre. Ter mais paciência, já melhorei um bocado. Mudar, ah isso eu posso dizer que fiz e nunca terei medo de fazer apesar do frio na barriga. Chego aos 35 anos com um jeito diferente em ver o mundo e me relacionar com o tempo. Que venham mais histórias, fotos, causos, pessoas e lugares!

sábado, 21 de novembro de 2015

Descobrindo o movimento da vida



- Sabe fazer maquiagem? Imagine um balãozinho na cabeça --- Nunca soube nem passar base em mim direito.
- E um coque que fique na altura média do cabelo, não muito em cima, não muito embaixo? Outro balãozinho – Brincar de cabeleireiro só com as minhas bonecas e no cabelo da minha tia que tinha a maior paciência com as minhas mãozinhas que penteavam aquela cabeleira linda todas as férias.

Para não ficar desesperada manda logo uma mensagem à sua mãe pedindo ajuda com o cabelo, às irmãs lindas querendo todas as dicas de maquiagem. E ao mesmo tempo brigava com os pensamentos – você é capaz. Não é possível que para sua filha não consiga superar esses bloqueios de quem nunca se ligou a esse mundo cor de rosa.

Foram quatro meses de testes para atingir o coque perfeito. Foram quatro meses para entender um dom que jamais teve e conhecer um mundo que nunca fez parte do seu. Não foi apenas a estreia de quem sempre sonhou em ser bailarina (leia-se sempre para uma criança de quase quatro anos que pedia desde que começou a falar), mas a estreia do ballet na vida daquela família. A estreia dos passos delicados, do olhar focado, da busca da marcação no palco e do sorriso no rosto em dançar para vida.

Não poderia ter sido mais especial a escolha do tema. A pequena bailarina estreou dançando a história de Dom Bosco em homenagem ao bicentenário de seu nascimento. A história de quem sempre esteve na história de sua mãe; o jovem com o qual ela sempre se identificou. A estreia da pequena bailarina foi um presente para quem decidiu abraçar a missão da educação depois de anos afastada.

A dança parecia um movimento leve e sincronizado, mas no seu coração era a confirmação que a dança é o movimento da vida. É o movimento de quem está envolvido com ela, com as letras das músicas, com as cores das fantasias, com o mundo que ela apresenta para quem se deixa encantar com os gestos sincronizados e os passos leves.


A mãe foi tomada por uma emoção sem proporção ao saber que a estreia da filha era a sua estreia num mundo que jamais a pertenceu. E a superação aconteceu, o coque saiu perfeito e a maquiagem também. Ela não precisou da ajuda imaginada, só precisou do seu amor e dedicação. À mesma com a qual a filha sempre teve em aprender os passos da tão sonhada dança.

ps.: está na terceira pessoa para não sair as lágrimas do texto igual ao dessa mãe que descobriu com a filha o movimento da vida no mundo da dança!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Triste? Alegre? Medo? Raiva? Nojinho? Alegre?

Perguntas como essas não saem da minha mente desde que resolvi assistir Divertida Mente. E para reforçar a mente questionadora, o filme será o tema da apresentação de fim de ano de minha filha que tem três anos, nove meses e sete dias.
            Faz dias que a observo dialogando com ela mesma – sabe o que é alegria? É estar feliz quando ajuda o amigo, quando ganha um presente do papai e da mamã. E tristeza? É quando faz feiura, briga com o amigo. E de repente não é mais um monólogo: você está feliz? Triste? Qual o nome daquele roxinho mesmo? E eu, medo! Isso, você tem medo? Raiva é o vermelho, né mamãe?
            De repente para quem sempre teve um toque de alegria e tem como objetivo contagiar o mundo com um sorriso e pintar bem colorido com as cores já existentes percebe que não existe alegria sem a tristeza, o medo, a raiva e até o nojinho. Talvez isso possa parecer óbvio, mas para mim foi realmente uma grande reflexão esse filme.  Tanto na forma de encarar o mundo e as suas dores como explicar para minha filha de três anos, nove meses e sete dias como funciona os sentimentos das pessoas. Posso falar pra ela que é normal ficar triste, ao mesmo tempo, que não quero nunca vê-la triste porque hoje entendo que a tristeza dela reflete em mim em proporções imagináveis antes de ser mãe. Eu sei que o crescimento vem com a tristeza, os momentos alegres são muito mais intensos se já experimentamos o sofrimento. Mas como explicar isso para os filhos? Desafio diário vivido e o aprendizado no dia a dia porque esse manual de instrução ainda está em construção.
            O medo pode paralisar! “Não quero que a minha filha seja uma caipira da cidade”. “Ah não, medo de pernilongo. Olha o seu tamanho e o tamanho dele filha.” “Não pode ir no fundo da piscina sozinha, lá é perigoso.” E quando percebo eu estou escolhendo o que a minha filha deve ter medo e o que não deve conforme a minha vivência e a minha percepção de mundo! Justo eu, que já tive medo de bicho-papão por causa da música e de raio porque passei por algumas tempestades na infância que dá arrepio só de lembrar, quero que minha filha não tenha medo de algumas coisas e tenha de outras porque é perigoso. Ainda bem que no filme eles mostram que o medo é importante no quesito segurança, assim me sinto menos detentora do poder de intervenção nas descobertas de minha filha. Afinal não dá para encorajá-la o tempo todo, porque com água não se brinca já dizia meu avô.
            E o nojinho. “Filha que isso falando eca para comida. Se está no prato é para comer porque tem gente que gosta” (essa parte de respeitar a comida aprendi com um alemão uma vez em um restaurante que alguém fez cara feia para comida típica. E ele se fez entender mesmo em alemão, nem precisávamos de tradutor para compreender o quão ofendido ele ficou. Comparou o prato dele com a nossa feijoada – “eu experimentei pela primeira vez sem saber o que era e claro que adorei. Mas mesmo que não tivesse gostado em respeito a quem cozinhou e todas as outras pessoas que comiam com tanto prazer, eu nunca teria feito uma desfeita”).
            Já a raiva, essa eu quero distância. Além de me consumir, esconde a minha alegria de viver e desperta os monstros guardados atrás do belo sorriso (utilizando o elogio que costumo escutar e usando um pouco da vaidade). Eu sempre brinco que participar de reunião de condomínio é despertar o pior que está em mim. No prédio que eu moro não participo porque é um horário que estou sozinha com minha filha, mas esse é um desafio que quero superar nessa minha nova fase em busca de mais serenidade e menos ansiedade. Confesso que nas reuniões que participei nos outros lugares que morei saía péssima, talvez porque eu não conseguisse ter a paciência que eu achava que tinha para vida.
            Deixei a alegria por último porque realmente a considero fundamental em todas as etapas da vida, seja para o amadurecimento, a superação, a curiosidade ou até mesmo para ver o mundo de cabeça para baixo. Não consigo imaginar uma fase da minha vida sem a alegria. Não consigo acordar todos os dias e agradecer a Deus por tudo que reúno na minha vida até aqui sem dar um sorriso, mesmo lembrando que ocorreram muitas tempestades e nesse caso não necessariamente com raios, ventos e trovões. Vou continuar tentando colorir o mundo de todos que convivem comigo, mas cada vez mais entendo o outro, as suas escolhas e as suas histórias.

            Para finalizar e continuar na minha defesa da Alegria um trecho da  música do Almir Sater
Ando devagar porque já tive pressa 
E levo esse sorriso porque já chorei demais Cada um de nós compõe a sua história, Cada ser em si carrega o dom de ser capazde ser feliz”

domingo, 8 de novembro de 2015

Por um mundo mais Tarja Branca

            Se eu pudesse compraria milhares de cópias do documentário Tarja Branca – a revolução que faltava,  dirigido por Cacau Rhoden, e presentearia todos os meus amigos, conhecidos e desconhecidos. Minha vontade é distribuir para quem eu encontrasse na rua.
            O brincar é o tema central, mas engana-se quem encara a brincadeira como coisa de criança. A brincadeira é libertadora e essencial para uma sociedade que está cada vez mais doente. Vamos resgatar o taco, a bolinha de gude, as quadrinhas, o elástico, a corda, o bambolê, a pipa. Que tal formar uma roda e cantar as cantigas juntos com os filhos, com os amigos?



            O filme foi muito bem editado com depoimentos que fazem o espectador perder o fôlego. E depois que acaba a sensação pode variar entre a reflexão de vida e um otimismo que é possível construirmos uma sociedade melhor se resgatarmos a criança que mora dentro de cada um. Eu queria escrever e debater cada tópico, cada frase, mas acho que talvez pudesse sugestionar quem for assistir.
            Talvez o documentário me marcou tanto porque estou em uma fase de mudanças internas e externas. Talvez porque esteja diretamente envolvida com crianças na vida pessoal e profissional. Talvez porque sempre fui otimista e acreditei que podemos mudar e recalcular a rota em qualquer época da vida. Talvez porque nunca perdi de vista a criança que mora aqui dentro embora algumas vezes deixei-a adormecer, mas a curiosidade e o novo sempre me moveram. Talvez porque a minha alegria de viver sempre superou cada cicatriz que ganhei ao longo da vida. Talvez porque eu ame o Brasil e ver um documentário brasileiro só reforçou a minha teoria que o nosso povo é alegre, criativo e busca ser feliz...
            Aprendo diariamente que um dominó pode virar uma ótima comida, uma carta de baralho pode virar um pão, uma bolinha de papel de revista amarrada numa lã vira o Aquário, um cachorrinho que pode ir para qualquer lugar. Gratidão por viver cada vez num mundo de fantasia, sem perder a minha visão crítica de mundo, mas ao mesmo tempo sem me contagiar por uma mídia cada vez mais mal-humorada.

            Deixe um pouco os preconceitos de lado e permita-se uma dose de brincadeira para que a vida se torne mais leve mesmo com os desafios diários a enfrentar.  Segue o link para o trailer oficial

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Já escolheu ser feliz hoje?



O dia começou chuvoso. Logo já pensei naquele ônibus lotado, tudo fechado, chegar ao trabalho com a barra da calça molhada, sapato meio molhado e depois vou passar o dia todo com o pé gelado. Nossa a chuva é tão bem-vinda nessa época de seca nas represas, mas justo agora chover? Bem na hora que eu vou sair, ah São Pedro!!! Desse jeito meu dia já começa tudo virado. Tinha planejado tanta coisa bacana, mas só de ver a cara do tempo meu humor já virou! Bom, o jeito é acabar de me arrumar porque não tenho escolha. E se atrasar até imagino a cara de todo mundo quando eu chegar.
Vamos começar de novo...
O dia começou chuvoso. Como eu gosto desse cheirinho de terra molhada. Não é fácil pegar o ônibus na chuva para ir trabalhar, mas não tenho do que reclamar gosto muito do meu trabalho. Ambiente bacana e ainda recebo para fazer o que me dá prazer. E se eu não gostasse do cheirinho de terra molhada estaria feliz do mesmo jeito por ter vindo a chuva para trazer um pouco de umidade. Chega de divagação agora e vamos trabalhar porque a vida é muito linda e eu preciso aproveitar cada segundinho para ser feliz!
E não pense você que é só a chuva que traz esses sentimentos contraditórios. Eu poderia ter elencado vários exemplos simples do cotidiano para as duas versões, mas isso poderia virar quase uma tese porque adoraria colocar um pouco de psicologia e teóricos sobre comportamento ... quem sabe depois invista em uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto.  Voltando à felicidade... Todos os dias encontramos situações que fogem do nosso controle e que precisamos escolher como enfrentar. Cabe cada um decidir para qual caminho seguir.
Ontem comprei a edição de novembro da revista Vida Simples e me chamou a atenção um texto da Ana Holanda, “Onde mora a felicidade genuína”. O texto poderia ser extenso porque o assunto requer muita reflexão, mas o que tem transmite muito bem o recado. Traz um pouco da palestra do colunista Gustavo Gitti sobre esse tema que concluiu de forma brilhante, ao meu ver “A felicidade não vem do que acontece fora de você, mas do que cultiva internamente”. Tenho refletido muito sobre isso nessa fase nova da minha vida e escrevi sobre essa felicidade genuína faz alguns dias --- Amanhã não me preocupa como antes, aprendi a viver o hoje, a economizar muito e a ser cada dia mais feliz. E olha que eu nunca deixei de ser. Mas agora é uma felicidade diferente, uma felicidade que busca a simplicidade e consegue enxergar desafios onde antes não tinha muito significado (se quiser ler o texto completo Passei no estágio probatório).

Acredito que a felicidade é mais que um estado de espírito. A felicidade é saber escolher e ver o lado bom das suas escolhas. Nem sempre acertamos a escolha, mas o importante é buscar o que isso trouxe de novo e o que acrescentou na sua história. A felicidade está aqui dentro e aí dentro, basta saber enxergar com os olhos da experiência e da maturidade. De repente você vai perceber que é possível ser feliz todos os dias mesmo nas situações mais inusitadas e difíceis. E você, já escolheu ser feliz hoje?

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Passei no estágio probatório



Não estou acreditando que depois de três meses consegui passar no estágio probatório. No começo parecia que eu não daria conta. Uma verdadeira loucura! Acorda às 6h, toma café, arruma lancheira, faz o leitinho acorda a filha, coloca uniforme, leva para a escola. Até aí nenhuma novidade, afinal essa parte já era bem conhecida. E depois de deixar a filha na escola, o que fazer? Eram tantas as variáveis que a mente parecia perdida. Afinal depois de 10 anos em uma loucura diária, minha mente queria arrumar alguma ocupação a altura. Arruma a casa, arruma armário, faz almoço, lava louça (essa parte se repete 100 vezes ao dia quando se está em casa), brinca com a filha, inventa história, coloca para dormir de tarde, acorda para ir à natação, ou ballet, veste, arruma, volta, dá banho, faz janta, assiste um filminho, lê história, reza, conta mais uma história. Pronto, a filha dormiu! Nossa lembrei que não passei roupa, que não limpei alguma coisa. Caramba, 23h e eu nem tomei banho ainda. Ai meu Deus, fiquei em casa o dia todo e agora que percebi os brinquedos estão jogados. Guarda brinquedos, toma banho e dorme lendo o livro -- afinal agora que estou em casa tenho tempo pra ler. Ops, pensamento o que você disse? Ué você não parou de trabalhar e está em casa então agora você pode ler todos os livros que gostaria porque antes nunca tinha tempo devido à correria.
            Depois de uma semana – vou fazer uma planilha com tudo o que eu tenho pra fazer. Vou estipular os dias para me dedicar à faculdade. Vou aprender a não precisar ir ao supermercado todo dia e montar um cardápio da semana. Vou ouvir todas as pessoas que me falam que passar roupa é perda de tempo e fazer isso só com o necessário. Vou andar pelas ruas com minha filha sem pensar em limpar alguma coisa ou guardar algum brinquedo. Vou diminuir o tempo de celular e ler todos os livros que eu gostaria e não tinha conseguia. Vou entender os meus limites e aprender com eles, ah isso eu vou.
Planilhas feitas! Adoro um excel simples para colocar tudo em ordem.
            Aos poucos fui entendendo que a minha escolha de vida tinha mudado o meu jeito de ver o mundo. Comecei a ter tempo para as leituras e me dedicar aos trabalhos da faculdade como gostaria. Descobri que agilidade na cozinha é sinônimo de prática e agora estou buscando novos desafios com as receitas saudáveis para toda família. Minha mente entendeu que eu não tenho um chefe ou um inspetor para ver como está minha casa todos os dias e mesmo se tivesse não precisaria estar tudo no seu devido lugar porque aqui moram três pessoas. Consegui organizar minha vida para estar com as pessoas queridas e sempre pronta para receber alguém em casa com muito amor e carinho.
            Depois de três meses entendi que eu precisava desacelerar para buscar novos desafios e isso pode ser encontrado aqui em casa mesmo, não preciso sair por aí para buscá-los. Consegui colocar na rotina as minhas caminhadas, o yoga e ainda tento achar um horário para meditação. Recebo todos os dias o meu pagamento quando minha filha chega da escola e grita “mamãe” e vem correndo me abraçar. O bônus é almoçar em casa com a minha família todos os dias e o meu marido elogiar minha comida e a minha filha falar que sou uma ótima cozinheira. Amanhã não me preocupa como antes, aprendi a viver o hoje, a economizar muito e a ser cada dia mais feliz. E olha que eu nunca deixei de ser. Mas agora é uma felicidade diferente, uma felicidade que busca a simplicidade e consegue enxergar desafios onde antes não tinha muito significado -- era uma simples tarefa doméstica que estava terceirizada. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Professor: uma lição de vida


Hoje é um dia que eu gostaria de ter tempo para escrever tudo o que está na minha mente. Eu queria decodificar os meus pensamentos e transcrevê-los com as mais belas palavras. Poderia começar com a minha história de vida que sempre foi permeada por bons professores, a destacar minha mãe, meus avós e meu marido. São tantos exemplos que só os nomes encheriam mais de uma lauda.
            Mas eu decidi falar do poder transformador que um educador pode fazer na vida dos seus alunos. Depois de 16 anos de conclusão do Curso Magistério, resolvi voltar para educação. Foram 15 anos trabalhando como jornalista e buscando as mais lindas e nem tão lindas histórias pelo mundo. Nunca fui correspondente internacional, mas as minhas viagens renderam boas histórias.  Sempre gostei de escutar as pessoas, sempre observei as pessoas e até foi por isso que nasceu o meu blog – conversas do cotidiano que eu escutava por aí e observava por aqui.
            Ao voltar para o mundo da educação eu me dei conta como fui privilegiada por ter tantos professores que ajudaram na minha formação pessoal e profissional. Desde a educação infantil até a pós-graduação. Este ano eu realmente entendi a frase de Paulo Freire “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Se eu tive coragem para recomeçar foi porque vários professores me permitiram criar inúmeras possibilidades. Cada um deixou uma sementinha e que nesse momento de decisão vieram com tanta força que eu gostaria de sair agradecendo um a um por terem me ajudado ao longo da minha formação. Eu me sinto muito estimulada em voltar para a educação no momento que ela está sendo reinventada porque isso já mostra o quanto um professor precisa estar atento às mudanças do mundo. Novos desafios são comigo mesmo. Nunca deixei o medo me paralisar, mesmo com frio na barriga encarei os obstáculos e tento buscar alternativas reais para usá-las na vida como ela é.

            Educar é mais que um ato de amor, é uma verdadeira lição de vida. O professor não é protagonista porque na educação todos precisam ser os atores principais, mas ele tem um papel fundamental em despertar dentro de cada pessoa envolvida o talento individual e a paixão pelo conhecimento.  Não é uma tarefa fácil, mas muitos educadores já me mostraram que é possível mudar a vida das pessoas por meio de ações simples dentro de uma escola – a começar pelo respeito ao indivíduo e a história de vida que ele carrega consigo. E para minha grata surpresa na minha vida acadêmica encontro mais uma profissional apaixonada em transformar o mundo que vivemos a começar do ambiente ao qual estamos inseridos! Dia 15 de outubro é apenas uma data comemorativa porque as lições de amor acontecem todo dia no mundo inteiro com quem educa e se envolve com a educação.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mudando o foco: um novo jeito de caminhar pelas ruas

         Passei os últimos anos com a sensação que o tempo nunca seria o suficiente para eu viver tudo o que queria. Acho que as primeiras palavras do dia nos últimos anos eram “vamos logo para não atrasar” (verbalizada ou apenas internamente).  Eu sempre tinha a sensação de que 24 horas não era o suficiente para dar conta de tudo. E se eu olhar pra trás, realmente não era. Mas não era falta de horas na verdade e sim uma ansiedade que eu nem sabia detectar. Uma ansiedade que estava camuflada na minha maneira de ver o mundo, na forma como eu tinha escolhido viver e nas prioridades da época.
            A mudança em ver o mundo de outra forma começou quando mudei de casa e fiquei mais perto da escola da minha filha. Na época eu me permitia alguns dias, quando não precisa chegar tão cedo, levá-la andando, outras vezes no carrinho. E de repente eu vi que o tempo era suficiente desde que eu permitisse enxergá-lo de outra forma. Eram dias inesquecíveis quando nós duas íamos andando e vendo as flores no chão. Ela parava e fingia ligar seu rádio imaginário para dançar em frente a um prédio escolhido aleatoriamente. Eu me sentia esquisita algumas vezes em perceber que não olhava mais direito as árvores, não percebia que aqueles três quarteirões tinham tantas paradas mágicas e que o tempo estava passando e eu perdendo o crescimento da minha filha. Sim, eu escolhi ser mãe. Eu desejei isso. Eu tive uma gravidez que não foi adiante antes da Sofia e tentei de novo. No começo era apenas um incômodo que estava ali, mas não ganhava muito espaço porque o tempo era sempre contado e não permitia muitas reflexões.
            Este ano o caminho para escola era outro. Às vezes conseguíamos acordar mais cedo para irmos caminhando, na verdade ela no carrinho apreciando a paisagem e me ensinando novamente a enxergar a beleza da simplicidade. Voltei a olhar mais para as árvores, apreciar as folhinhas caindo de manhã, a me encantar com as flores do caminho que eu ganhava em um gesto de delicadeza e amor da minha filha. Sabe aquela sensação esquisita, essa ganhou espaço principalmente na caminhada da volta da escola sozinha. Eu percebi que não precisava mais de 24 horas no dia, eu precisava mudar o foco da minha vida. E foi assim caminhando pelas ruas, olhando as pessoas correndo, casais de mãos dadas, crianças no carrinho, gente apressada, pessoas felizes, pessoas emburradas que eu decidi mudar o jeito de caminhar não só na rua, mas na minha vida. Fui buscar novos horizontes, a realização de um sonho antigo que foi iniciado quando eu tinha apenas 15 anos e decidi fazer magistério. Voltei para o mundo da educação e hoje ando na rua vendo o que ela tem para me oferecer. Podem ter certeza que é muito mais que carros correndo, pessoas brigando com o tempo. A rua é um espaço comum que pode ensinar muito se a observarmos de outra maneira.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Mãe de bailarina: lições importantes para os próximos passos e rodopios

Para quem não me conhece, breve introdução: não faço o estilo bailarina, nunca levei jeito para dança e nem sou a graciosidade em pessoa no quesito expressão corporal. Quando a Sofia nasceu relutei no rosa, escolhi lilás como a cor do quarto. Nada contra o rosa, era só uma questão de estilo já que na minha cabeça o rosa é para bailarina e, como já disse, isso nunca fez parte do meu mundo. Mas depois que você vira mãe de menina não existe a opção não gostar de roupa rosa, sapato rosa, calça rosa, blusa rosa, bota rosa. E a pequena desde que se entende por gente pede para fazer ballet.
Vida corrida, horários divergentes, ou melhor, falta de horário para qualquer coisa. Imagine conseguir leva-la na aula de ballet às 17h40? Impensável há alguns meses. Fora de cogitação. As avós tentaram ver perto de suas casas, mas antes dos quatro anos nada feito.
            Quando decidi mudar minha vida, a primeira coisa que prometi foi coloca-la no ballet da escola, às 17h40. No primeiro dia de aula, fui fazer a matrícula. Com um sorriso no rosto, a moça me disse “pode começar amanhã. Ah mãe, traga ela de colan, cabelo amarrado e sapatilhas.” Agradeci e fiquei feliz em realizar o sonho da minha filha e o meu, em estar mais perto dela. Voltando para casa me dei conta “eu nunca vivenciei um mundo de bailarina, onde encontro tudo isso? Desempregada não dá simplesmente para ir ao shopping e comprar (nem sei se isso vende no shopping, mais uma vez a ignorância em relação ao tema)”. Nada como ter amiga mãe de bailarina e obter todas as informações necessárias, como o local com preço bom e o melhor material do colan (primeira lição para a mãe de primeira viagem).
            A compra foi um sucesso. Ela nem queria tirar a roupa para pagar. “Mamãe eu já sei fazer ballet” e levantava os bracinhos, rodopiava e ficava nas pontas dos pés. Eu comecei a me preocupar se a aula seria frustrante porque na cabecinha dela com a roupa completa, ela já era uma bailarina.
            Segunda lição: a aula tem praticamente o mesmo tempo que a arrumação da criança. Meia-calça, colan, coque, sapatilha, coque cai, arruma coque, esquece a faixa do cabelo, tira coque, coloca a faixa, refaz o coque. Ufa, tudo pronto! Chegamos à escola uns minutinhos antes “mamãe não estou vendo nenhuma amiguinha bailarina”. Quando abriu o portão, ela já estava muito ansiosa e eu mais ainda. Estava com medo de não ser nada do jeito que ela sonhou e imaginou nesse tempo todo. Não sabia se iam me deixar entrar.
De repente surgem várias minis bailarinas saltitantes. E eu sinto uma mãozinha e um suspiro “mamãe, você vai comigo né?” A professora muito solicita autorizou minha entrada e permitiu meu momento mãe paparazzi.
            Não consigo achar palavras para descrever o momento mágico que presenciei na vida da minha filha. Olhinhos brilhantes, atenta às explicações, alheia a minha presença e compenetrada em cada exercício. Felicidade registrada primeiro no meu coração, depois na minha memória, ah sim, eu poderia tirar fotos, então peguei o celular e registrei para compartilhar com o pai dela e todos que sempre a escutaram falando o quanto queria fazer ballet.

            Depois dessa aula eu entendi o que é ser mãe de bailarina. O que é ter uma filha com esse dom. Eu aprendi mais uma lição importante: bailarinas nascem bailarinas. Não que pessoas, como eu, não possam aprender e se tornarem uma bailarina profissional (desafio lançado, porque no meu caso acho pouco provável uma solução plausível). Como já disse, eu não sei explicar, só sei fechar os olhos e ver minha filha rodopiando no final da aula sorrindo com os lábios e com os olhos. E que venham as novas lições. Para quem escolheu a cor lilás, já entendeu que o mundo cor de rosa vai predominar.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Era uma vez...

Era uma vez uma menina sonhadora que via nos olhos das crianças a certeza de um mundo melhor. Cheia de histórias para contar essa menina precisou escolher qual caminho seguir e o jornalismo virou profissão. Encantou-se e se deixou encantar pela comunicação. Apaixonada por encontrar na vida do outro uma história que viraria uma matéria, um depoimento. Uma mistura de dois mundos, o dela jornalista e o dele, a vida real. Durante 15 anos ela esteve com o seu bloquinho, com os olhos atentos, com o gravador e depois com o celular. Sempre com brilho nos olhos para contar a nova história que acabara de escutar. E nesse tempo todo, ela enfrentou desafios, buscou novos caminhos, aprendeu muito e evoluiu também. O texto criou novos formatos, depois não escrevia mais tanto, editava muito mais. Mas sempre ali pronta para o novo, a nova história, o novo depoimento.
Um dia ela escreveu que enquanto os olhos brilhassem tudo teria sentido, o frio na barriga era sinal que todo dia era um dia especial. Os olhos não deixaram de brilhar e o frio na barriga passou para um estágio mais avançado, o medo. O medo de não ter tomado a decisão certa, o medo de qual caminho seguir e o medo de olhar pra ela mesma e de repente ver que não era mais aquilo que queria. E foi assim que ela se lembrou dos olhos das crianças que a encantava, que aquilo sim fazia mais sentido e que a educação seria o seu novo recomeço. Ela gostava de novos desafios e recomeçar era o que ela na verdade buscava. Decidiu prestar vestibular para pedagogia e agora seus olhinhos brilhavam para poder entrar em sala de aula e vivenciar de novo aquele primeiro encantamento com as crianças.

As histórias serão contadas, a magia volta para cena e o bloquinho até deve ficar na bolsa porque ela sempre vai querer anotar alguma coisa. Ela é assim, inquieta, alegre, em busca de desafios... Ela sou eu e eu sou ela, uma pessoa em desconstrução para recalcular aquilo que faz sentido para a vida! Que venham os olhinhos curiosos de quem tem uma vida toda para descobrir, assim como eu!


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Parece que foi ontem



Entro na sala pouco antes das 8h. Precisava ouvir a rádio e transcrever o programa. Sentei em uma mesa no canto para fazer a primeira tarefa do estágio. Último semestre da faculdade, não queria ter saído de São Paulo, voltei a morar com minha mãe. E assim começava uma nova fase que eu não tinha a dimensão como seria importante para a minha formação pessoal e profissional. É difícil relatar os melhores momentos porque eles foram diversos. A primeira pauta na rua, a primeira entrevista que acompanhei e a primeira foto publicada tiveram um sabor especial. Um sabor que vem se repetindo há 10 anos, em cada pauta que eu vou, em cada entrevista que acompanho. No decorrer do caminho sorri e chorei, pautas emocionantes, histórias chocantes... Trabalhar com comunicação pública é estar do outro lado, como diz o jargão jornalístico, mas é também estar do lado onde é possível ver as coisas acontecerem. Talvez nem sempre na velocidade que gostaria de comunicar e vivenciar... com certeza eu ouvi histórias reais de muitas pessoas que têm muito o que contar. Histórias que muitas vezes não ganham espaço na grande mídia, mas continuam sendo boas histórias de vida e, para mim, relatos que valeram a pena escolher o jornalismo como profissão. Nem sempre é fácil buscar as respostas, falar o que a pessoa gostaria de ouvir, mas cada dia que passa aprendo que estar ao lado das pessoas ajuda muito a escolher as palavras certas para responder com sinceridade o que pode ser feito.
Talvez esse post um dia vire alguns contos, algumas crônicas, porque eu tenho muito o que compartilhar. São tantas pessoas para mencionar que realmente não dá para escrever numa sentada só. Cada uma tem uma história, cada uma me ajudou de uma forma, cada uma merece um relatinho do que vivi até aqui.

Hoje estou por aqui, amanhã não sei, mas com certeza o que eu quero é enquanto estiver -- ter o brilho no olhar em buscar uma nova pauta, o frio na barriga de cada entrevista e achar as palavras certas e incertas para escrever as histórias que aprendo todo dia. Comunicação pública, uma paixão que começou no canto de uma sala e só aumentou nesses 10 anos! E essa paixão só aumentou porque participo de um projeto sério, com políticas públicas que fazem a diferença na vida de muitas pessoas – e nesse caso não foi ninguém que me contou, eu mesma fui na rua pra ver e ouvir!