quinta-feira, 24 de novembro de 2016

De repente eu me encontrei no corredor



Estava passando pelo corredor e me encontrei. Depois de muito tempo buscando tantas coisas na vida eu percebi que a vida está aqui no corredor da minha casa, na minha cara, muito mais perto do que eu sempre imaginei.

Não foi um encontro demorado, mas durou o tempo necessário para eu perceber que chegar aos 36 anos com a minha bagagem é muito mais do que sonhei para minha vida.

Entre 35 e 36 anos foram tantas buscas, inúmeras perguntas e as respostas nem sempre acessíveis a primeira vista. Eu vivi tudo o que nunca tinha imaginado em apenas um ano -- deixei meu emprego que adorava, voltei a estudar, virei dona de casa, me dediquei intensamente a maternidade e a minha família. Descobri uma força jamais imaginada, minha fé aumentou e me fez conversar muito mais com Deus do que já havia feito em 35 anos. Chorei noites quase inteiras. Ri quando meu coração estava estraçalhado. Chorei e ri ao mesmo tempo muitas vezes. Acreditei como nunca que para Deus nada é impossível.

Foi nesse encontro do corredor que percebi as novas marcas no meu rosto. Aceitei as mudanças no meu corpo (ainda estou brigando com a balança, mas dessa vez de forma mais generosa). E me orgulhei da evolução da minha alma. Com certeza foi um ano emocionante desde as tentativas frustadas em conceber uma nova vida até a descoberta de duas novas sendo geradas. Talvez eu tenha promovido o grande encontro da Renata cheias de verdade e a Renata que entendeu que a vida é hoje. A Renata organizada ainda existe, mas a que planeja tudo deu lugar a uma pessoa muito mais preparada para eventualidades e mudanças de planos. A ansiedade foi suprida pela fé -- o desafio quando compreendido como necessário vira o aprendizado para uma vida toda.
Ouvi que meus testemunhos emocionaram. Recebi mensagens do mundo todo, porque pessoas queridas vivem por aí e muitos bem longe daqui, emanando luz e força para aguentar a dura rotina de ter filhos no hospital. Superei a dor de não pegar os meus filhos até que estivessem estáveis para receberem todo amor que tinha para oferecer -- foram exatos 13 dias até segurá-los pela primeira vez!

Assisti a dança da Festa Junina da minha filha na cama do hospital. Agradeci a tecnologia, a minha irmã que teve essa brilhante ideia e chorei, porque foi durante a gravidez dos dois que precisei entender que nem sempre conseguirei estar presente nos eventos dos três.

Me descobri. Me encontrei e me reinventei. Assim começa um novo ciclo -- chego aos 36 anos marcada pela vida e repleta de vida para as novas marcas que ainda estão por vir. O rosto de menina deixa saudade, mas com certeza o da mulher que encontrei me faz encher de orgulho para seguir adiante!

Obrigada a todos que contribuíram para o ano ser mais leve e pela ajuda nesta travessia chamada vida. Agradeço a Deus por esse encontro do corredor e pela família linda da qual eu vim, a que me acolheu quando casei e a que agora formo junto com o melhor parceiro da vida. Afinal as fotos bonitas enfeitam minha rede social, a nossa casa e os nossos celulares. Já as imagens sofridas essas foram expostas na alma para sermos ainda mais unidos e apaixonados por tudo que a vida nos oferta, a começar dos nossos maiores presentes -- nossos três filhos!



domingo, 18 de setembro de 2016

Gêmeos? Trabalho dobrado? Já tem filha?


Sair com os meninos significa muita coisa para nós -- estão bem para tomar vacinas e perto de ter uma vida normal de bebês. Devido à prematuridade esses últimos dias a agenda deles estava super concorrida -- pediatra, vacina, oftalmo, ultrassom, cardiologista e fisioterapia. Os especialistas eram para verificar como eles estavam após a bateria de exames que passaram na UTI. Já receberam alta de todos!!! A fisio, por terem nascido de 7 meses, é recomendável embora apresentem o desenvolvimento compatível com os três meses de vida (completam amanhã 19 de setembro).
Desde que soube da gravidez fico imaginando que estou sendo preparada para participar de um TED Talk. Mas o que tudo isso tem a ver – ser mãe de gêmeos e ainda fazer palestra? Imagine você na sala de espera do seu médico e chega um carrinho de gêmeos. As chances de você perguntar aos pais qualquer coisa é grande, porque apesar de termos muito mais gêmeos no mundo não é a regra geral de toda gestação. As perguntas acontecem e de repente quando percebo já estou dando uma mini palestra sobre gravidez gemelar e como cuidar dos dois. Quando vem a pergunta se são meus primeiros filhos e respondo que tenho uma filha de 4 anos, o olhar das pessoas dizem muito e com certeza isso significa mais perguntas. E não é que me acostumei com isso. Toda vez que saio já sei que responderei diversas perguntas. Talvez algumas perguntas sejam mais invasivas, algumas pessoas ainda me assustam querendo pegá-los mesmo sem nunca ter me visto antes e nem se preocupam em perguntar se estão vacinados – claro que não deixo e nesse momento o mosquiteiro de carrinho funciona muito bem. Confesso que essa nova maneira de encarar o mundo (compartilhando com desconhecidos mais do que eu imaginava na minha vida toda) tem me ajudado a entender sobre comportamento humano e como meus três filhos vieram para mudar meus paradigmas. Apaixonei-me pela gravidez gemelar e em como criar gêmeos que já possuem irmã mais velha.
Tento responder todas as dúvidas e sempre faço questão de salientar  “é mais assustador para quem não tem do que para quem foi agraciado com dois bebês ao mesmo tempo”. Antes de ser mãe de gêmeos também paralisava só de pensar na hipótese de ter dois recém-nascidos. E a primeira pergunta que eu fazia -- você tem alguém para ajudar né? Claro que faz toda diferença ter alguém para cuidar da sua casa, fazer a comida e lavar a roupa, mas é mais fácil do que eu imaginava cuidar dos dois -- mesmo que isso signifique trocar de 14 a 18 fraldas por dia (já são de 12 a 14), preparar 16 mamadeiras (já baixamos para 12) e amamentar a cada 3 ou 4 horas durante o dia e de 5h a 6h durante a noite e madrugada. 
Não tenho planejado quando voltarei estudar, mas tenho certeza que ainda tenho muito que aprender sobre educação e desenvolvimento infantil. Enquanto isso, sigo aprendendo no dia a dia com a vida. 
Às vezes a minha mente faz esse diálogo:
- Renata, mas você só fala de criança, fraldas e coisas da casa?
- Não. Eu consigo ler durante a madrugada. Fiquei fã dos atletas paraolímpicos. Lamentei a morte do Domingos Montagner. Acompanho o cenário político e decidi me preservar neste momento de qualquer debate caloroso sobre o assunto. Leio sobre o Papa Francisco e a Revista Vida Simples mensalmente. 
- Ufa! Estava com medo de ficar bitolada nesta história de mãe e dona de casa.
- Ah consciência que tal deixar o preconceito de lado. Há mais de um ano eu admiro ainda mais quem abre mão do mundo corporativo para se dedicar a família. As mulheres fazem muita diferença em qualquer lugar que estejam inseridas. O importante é estarem bem, felizes e realizadas. E a quem interessar eu nunca usei tanto meus conhecimentos matemáticos desde que parei de trabalhar fora de casa. Primeiro o cálculo da compra para não precisar sair toda hora porque faltou algum ingrediente ou produto de limpeza. Quando os meninos nasceram, calculava quanto de leite precisava tirar e quantas vezes por dia isso seria feito no hospital. Calculava o tempo que tinha para Sofia. Calculava os pacotes de fraldas. E agora calculo a fórmula que complementa o meu leite. Anoto quanto mamaram para saber qual intervalo que terei para fazer as coisas.

- É! Acho que já pode palestrar sobre maternidade, gravidez gemelar e economia doméstica!

domingo, 28 de agosto de 2016

Compartilhar: a minha receita para me aprimorar


Vivemos em um tempo em que expomos a vida na rede social e mal sabemos o nome da vizinha. Compartilhamos a felicidade e deixamos trancado as nossas frustrações, medos e tristezas.
Celebramos as vitórias, fotografamos tudo e depois não sabemos o que fazer com tanta imagem. Faz um tempo que percebi que meu hd tinha tanta foto que ficava difícil editar para fazer os álbuns que adoro imprimir. Comecei a praticar o desapego e escolher o que realmente eu queria eternizar. Para ajudar nesse exercício peguei os meus álbuns da infância e vi que em algumas imagens era possível vivenciar toda a minha história. Não precisava de 10 fotos para cada momento e cada encontro.
Meus filhos me ajudaram a compartilhar mais do que me privar. Quebrei paradigmas. Quando me dei conta a minha história já era conhecida na escola da minha filha, no meu prédio, na mercearia, na papelaria, no cabeleireiro, na farmácia, na loja de bebês, no posto de gasolina, na gráfica digital, na lanchonete natureba em frente ao parque. E eu que sempre quis privacidade de tudo percebi como era bom receber o carinho das pessoas. Eu que sempre defendi que o melhor do Brasil são os brasileiros, percebi que estava fechada nos muros da minha alma e do meu condomínio. Aprendi que compartilhar problemas ajuda muito amenizar a dor e nos proporciona momentos únicos ao recebermos carinho de onde nem esperamos. Tem dias que o olhar da vizinha apenas me lembrando que eu posso contar com ela e o cumprimento de alguém na rua que sabe da minha história faz meu ❤️ se aquecer. A caminhada diária para maternidade me fez refletir como era bom
encontrar essas pessoas no meu caminho. Se estava com pressa as pessoas entendiam e diziam "vai lá levar o seu amor para eles". Quando tinha tempo conseguia atualizar um pouco do que estava acontecendo.
Agora que estamos todos em casa, as minhas saídas são mais restritas e nas duas horas que tenho para resolver a vida como eu gosto de brincar são priorizadas com as atividades da Sofia. E os dias que eu saio acabo sempre encontrando alguém e continuo feliz em receber tanta troca de experiência e de vida! 
Se a gravidez já mostrou que compartilhar é melhor que consumir -- herdei o enxoval dos meus sobrinhos. Depois que os meninos nasceram tive a certeza que a nossa história não pertence apenas a nós mas também a todos que se dedicaram alguns minutos de suas vidas para rezar pela minha família, mandar uma mensagem carinhosa, enviar boas energias. Enfim, aprendi que a troca de carinho acontece se abrimos a porta da  casa e da vida. Lógico que sempre guardarei segredos e manterei certa privacidade, mas com certeza as janelas ficarão abertas para a luz e o amor entrarem.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Artesanato: um mundo exclusivo e cheio de vida

Faz tempo que penso no valor do artesanato. Peças únicas e exclusivas feitas por mãos talentosas. Minha mãe sempre foi uma arteira como nós brincamos. A começar das decorações de nossas festas, tapetes de crochê e agora inventa novas peças em sua máquina de costura. Minhas duas avós também sempre tiveram mãos de fadas para tricotar ou produzir peças lindas de crochês. Bordado, patchwork e pintura. Eu já não tenho o mesmo dom, mas sempre admirei tudo que é artesanal. Não consigo passar por uma feira sem pelo menos gastar um tempo me encantando com as peças expostas nas bancas. Parece que cada produto tem a sua história e carrega uma luz própria que iluminará onde for parar.
            Resolvi escrever este texto porque acredito na transformação da relação mercado e mercadoria. Para conseguirmos sobreviver no nosso planeta não tem como continuarmos produzindo tanto lixo e consumindo sem consciência. Ao colocar isso em prática na minha vida já percebi que diminuímos muito as embalagens. Nem caixa de presente eu compro mais. Aproveito sacolas e o que tenho em casa para também embrulhar o meu carinho. E buscando novas alternativas sempre acho coisas interessantes para deixar a nossa vida com mais significado. O Mercadinho Artesanal é um lugar que com certeza reúne muitas pessoas dentro deste propósito. Conheci produtos incríveis e comprei vários itens para deixar a minha vida mais leve e colorida.
            Eu queria destacar duas artesãs, em especial, pelo carinho e cuidado com o que produzem e a forma como atendem. A Simone, da Flores e mais flores, aproveita vários tipos de materiais para produzir as suas peças e dentro deste propósito criou a minha família em bonecos. Um trabalho minucioso que encantou não só a mim, mas a todos que já viram aqui em casa o resultado final. Quem quiser vale muito a pena conferir os produtos dela. Decidi fazer a propaganda porque da mesma forma em que eu recebi um carinho tão especial ao encomendar com ela, outras pessoas também poderão ter essa oportunidade. Não poderia guardar isso só pra mim. Já a Claudia, do Amore Atelie Baby, realmente me emocionou. Encomendei dois bonecos de pano para Sofia ganhar no dia em que os irmãos nascerem. Eu recebi muito mais que dois bonecos, eu recebi amor, dedicação e um trabalho primoroso. Eu recebi carinho e uma mensagem que guardarei para sempre no meu coração e contarei aos três quando crescerem para entenderem o real valor do artesanato.

            Dicas de onde encontrar tanto amor, talento e peças exclusivas:
Minha mãe aceita encomendas de tapetes. Uma ótima opção para sua casa ou para presentear alguém. A página dela é a seguinte https://www.facebook.com/marcia.c.loureiro.1

Quem quiser conhecer mais sobre o Mercadinho Artesanal acesse a página

Confira o capricho da Amore Atelie Baby --https://www.facebook.com/AmoreAtelie

Valorize o trabalho de quem contribui com um planeta mais sustentável como a Flores e mais flores -- http://www.elo7.com.br/floresemaisflores

Já quem quiser docinhos personalizados indico a FK Doces. Não a coloquei no texto, mas também recebi mais do que um pão de mel personalizado, recebi um carinho exclusivo. https://www.facebook.com/fkdoces/

A Good Smell, eu conheci na primeira edição do Mercadinho Artesanal e me apaixonei pelo que ela produz. Já fiz várias encomendas. https://www.facebook.com/Good-Smell-Mimos-Artesanais-357058457650805/

A Adocicada deixa a nossa vida mais doce já faz alguns anos. https://www.facebook.com/adocicadadoces

Modos de Mocinha é uma ótima opção para quem gosta de bolsas, bolsinhas e carteiras exclusivas.


            Para encerrar as minhas propagandas gratuitas -- como já disse resolvi compartilhar porque em um mundo que parece ser tão cinza existe muita luz a ser descoberta e todas essas pessoas que eu indico são iluminadas e transformam os seus talentos em experiências únicas para quem compra delas. O Bazar Maria Helena é um novo espaço para adquirir peças e materiais para produzir a sua arte.
https://www.facebook.com/bazarmariahelena






sábado, 30 de abril de 2016

Mais um capítulo da série “coisas que nunca imaginei para minha vida”


Com certeza 2016 é o início de uma nova fase, um ano cheio de boas surpresas para não dizer sustos emocionantes. Começou no dia 6 de janeiro descobrindo a minha gravidez gemelar.
            Nesses mais de cinco meses de gestação conheci não só um novo mundo, mas uma nova Renata. Como foi importante ter decidido parar a minha loucura para vivenciar a experiência de ser uma mulher do lar, para usar o termo da moda. Uma mulher do lar que aprendeu a valorizar todas as outras que escolheram ficar em casa ou simplesmente não tiveram opção de ir ao mercado de trabalho. Eu no auge dos meus 30 e poucos anos nunca tinha considerado essa possibilidade porque na minha cabeça eu sempre estudei para ganhar o meu dinheiro, ter a minha independência e conquistar o meu espaço. Mas a vida ensinou que dinheiro pode ser compartilhado, aceitar ajuda faz parte deste meu aprendizado, e administrado de diversas formas a começar escolhendo onde gastar; independência não é sinônimo de ficar fora de casa e sim estado de espírito; e o meu espaço pode ser conquistado dentro ou fora de casa porque não importa o que eu faça o meu poder de raciocínio e as minhas indagações sempre irão me acompanhar.
            O fato de ter parado tudo o que havia conquistado no ano passado fez com que eu realmente vivenciasse algo que pode parecer do século passado – almoçar em casa com meu marido e nossa filha todos os dias; cuidar da minha família e da minha casa em tempo integral; voltar a estudar depois de 15 anos trabalhando com algo que era apaixonante. Ao juntar tudo isso, percebi que não era nada do século passado porque hoje temos a liberdade para escolher não limpar a casa e pegar um livro para ler. Cozinhar o que quisermos porque meu marido não vai achar que fui relapsa ou preguiçosa, pelo contrário ele sempre me agradece por estar aqui cuidando dos nossos bens mais preciosos – os nossos filhos, no momento os de dentro e a nossa pequena de quatro anos. Não preciso dar satisfação para sociedade pelas minhas escolhas porque elas fazem parte do meu eu, embora pelo que tem parecido a nossa sociedade precisa ainda evoluir muito em questão do respeito às escolhas e divergência de pensamentos (essa parte ficará para um próximo post).
            Toda essa introdução foi para contar a minha reação depois do susto emocionante vivenciado após mais de quatro meses da descoberta que tenho dois lindos anjinhos dentro de mim. Dia 25 de abril fui fazer mais um ultrassom para ver se os bebês estavam bem, medir os órgãos deles. Com a gravidez gemelar aprendi que parte da minha vida se tornou pública mesmo que eu não queira. Todos querem saber dos bebês, o sexo, os nomes, fez tratamento, têm casos na família, ai Meu Deus que tamanho ficará sua barriga, quando vai nascer, ah gêmeos sempre adiantam... Na sala de espera da clínica, algumas dessas curiosidades apareceram e eu disse que estava esperando um casal – Maria Isabel e João Miguel. Quando entrei para fazer o ultrassom, a médica no início do exame disse “Renata estou vendo dois peruzinhos aqui, não é um casal.” Eu, depois de 5 segundos, tem certeza doutora? Ela, com toda tranquilidade que lhe é peculiar e por isso gostei tanto dela me disse, não tenho a menor dúvida, estão bem claro que as duas genitálias são masculinas.      Passei 1h20 vendo os meus bebês sendo examinados e pensando em como contar a mudança ao meu marido, à minha filha, aos nossos pais, nossos irmãos, cunhados, tios, avós, enfim para todos que já tinham comemorado comigo a vinda de um casal.
            Filha de engenheiro que cresceu programando a vida, quem me conhece sabe disso, receber uma notícia dessas depois de já ter passado mais da metade da gestação é porque realmente eu precisava em 2016 passar por um choque de comportamento. Muitas coisas eu acredito que ainda valem a pena programar, como a parte financeira de uma casa, uma viagem, mas com filho e agora com a chegada de dois ao mesmo tempo, o importante é estar pronta para todas as mudanças que acontecem no percurso. Ao invés de cinco dias e olhos arregalados como foi com a notícia da gravidez gemelar, passei só dois! Ponto para minha maturidade e aceitação de que planejar é preciso, estar pronta para mudar a rota é essencial para uma vida mais leve!
            E os nomes? João Miguel e José Carlos. Que venham nossos anjinhos com muita saúde para alegrar as nossas vidas e deixar nossas vidas diferente de tudo que imaginamos. Afinal eles só contribuem cada dia mais para eu entender que muitas coisas que nunca imaginei para minha vida são muito melhores das que eu sonhei a vida inteira!

sábado, 12 de março de 2016

Instituto São José: 90 anos de valores, história e educação


O prédio chama atenção pelo tamanho. O espaço realmente é privilegiado. Uma infraestrutura, como poucas escolas, que permite o desenvolvimento integral de quem estuda no Instituto São José. Apesar de toda grandiosidade e  espaço maravilhoso, com certeza o que sempre marcou a minha vida escolar não foi a infraestrutura, mas sim as vivências, os valores e o carisma salesiano. O corpo docente também contribuiu para a minha formação pessoal e a forma como encarei a vida, superei os meus problemas e enxerguei o próximo em qualquer área por onde passei. Agradeço aos meus pais por terem feito muitos sacrifícios para proporcionar a melhor educação que poderia receber.
            Mesmo depois de 17 anos, me lembro das aulas, das matérias dadas, da metodologia, das experiências e das pessoas que entraram na minha vida e nunca mais saíram. São tantas memórias dentro da sala e fora dela que me enchem de alegria só de pensar: correr no redondo, brincar na casa de boneca, sentar no tapete para brincar, ouvir as histórias do Bom Dia, aulas de música com a irmã Neide, parque de areia, coroação de Nossa Senhora. Mudar para o “cumprido”, comprar lanche na cantina, entrar na capela, dançar quadrilha, pular elástico, aprender fração com um bolo de cenoura e cobertura de chocolate, amarelinha, apresentar teatro, descobrir o mundo das letras e alegria em ler os primeiros livros. Pré-adolescente, mudança para o Zezão. Novos amigos, geometria, física, química, cama elástica, Olimpíadas do Instituto, amistosos entre escolas, campeonato entre escolas salesianas, viagem para o NR, história, Renascimento, filosofia, magistério. E quem diria que eu iria trabalhar no NR como monitora por três anos e esperar setembro para poder receber os alunos do Instituto São José e os professores queridos.
            Passaram-se 16 anos e retorno para esse mundo especial que ocupa as boas lembranças da minha infância e adolescência. Dessa vez confiando a educação da minha filha de três anos. Volto justamente no ano (2015) em que comemorou o Bicentenário de Dom Bosco -- ele que veio para mudar a história dos jovens e priorizou a educação. Quando veio a Nossa Senhora Auxiliadora visitar nossa casa me emocionei porque ela coroou a minha infância e tive o privilégio de tê-la coroado enquanto estudante. Ao ver minha pequena de anjo não contive a emoção porque pra mim isso tem um significado muito grande. A festa da Família foi no mesmo dia que comecei a Faculdade de Pedagogia. Voltar ao Instituto foi a luz que eu precisava para mudar a minha vida e retornar ao mundo da educação depois de tanta experiência como jornalista.
            Hoje celebramos 90 anos do Instituto São José em uma missa especial. Especial para mim que tenho fé no poder transformador da educação para uma sociedade mais justa e fraterna. Especial para minha família que sempre confiou a nossa educação ao carisma salesiano. E especial para Sofia que foi uma das crianças escolhidas para levar rosas brancas. A escolha significou muito para nós -- fé e gratidão! Mesmo escrevendo tanto me faltam palavras para descrever a participação nesta festa tão importante para quem vivenciou 14 anos da vida neste mundo de quem construiu a sua história com foco na  educação.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando mais de um coração bate dentro de você



Olhos arregalados, coração acelerado, lágrimas nos olhos, risada, emoção. Medo, amor maior que o peito, ansiedade, gratidão, reviravolta, mudança e a certeza que Deus existe.
Não são apenas palavras para descrever sensações. Essas são as palavras que marcaram o início de 2016. Um ano que com certeza mudará não só a minha vida como a de todos que convivem comigo, de perto ou de longe.
Sem saber o que estava por vir fiz um post na minha página da rede social  --Feliz Ano Novo! Para que a vida seja mais leve, simples, alegre! E que os abacaxis que estão por virem sejam doces como esses que ganhei! A cada tempestade é preciso lembrar do arco-íris que colore o céu e encanta quem acredita na magia de transformar os desafios em crescimento e conquistas!
A inspiração do texto foi motivada por saber que estava gerando uma nova vida. Nosso presente de Natal, uma graça sem palavras para agradecer. Mas foi no dia 6 de janeiro que a minha vida ganhou tantos sentimentos, sensações e com certeza a maior prova que Deus nunca me abandonou. Fecho os olhos e lembro da imagem no ultrassom – ao invés de um embrião, apareceram dois. O medo em ouvir ou não o coração logo foi tomado pela emoção de ouvir dois corações batendo. Naquele segundo eu soube que nunca mais seria a mesma. A gestação começou a mostrar que as emoções com certeza seriam dobradas. De italiana emocionada passei a chorar por tudo. Chorar em ver um desconhecido no sinal pedindo trocado e eu não ter algo a oferecer. Chorar porque alguma criança no período de adaptação ficou chorando na escola, mesmo a minha filha tendo entrado feliz da vida. A lista e os exemplos são tantos que se for colocar corre o risco de chorar mais um pouco. Sem falar nos cuidados dobrados e na reação das pessoas.
Por falar em reação das pessoas, aprendi a dar a notícia de uma forma mais emocionante. Primeiro falo que estou grávida. Faço uma pausa. E só depois anuncio que são gêmeos. Observar como cada um reage virou uma das minhas diversões.
Talvez eu nunca consiga expressar a alegria, a emoção e a gratidão que sinto por receber esta bênção em gerar duas vidas. No começo tive medo, mas não passei nenhum dia sem agradecer a Deus por confiar tamanha responsabilidade. Não que agora o medo passou, porém está camuflado por tanto amor que meu peito carrega a cada dia. Ser mãe foi uma escolha minha. Tentar outro filho também. É a realização de um sonho de criança -- construir a minha família, ter a casa cheia. Descobrir com as crianças a simplicidade da vida com certeza tem sido a grande lição desde o nascimento da minha anjinha, companheira, a adorável Sofia. Mesmo sabendo e entendendo o poder da maternidade na vida da mulher, não acho que toda mulher precisa ser mãe para ser feliz porque cada um encontra a felicidade em lugares, momentos e sentimentos diferentes. Eu fiz escolhas conscientes sobre a maternidade e por isso no meu caso garante a minha realização como pessoa, como mulher.
Voltando àquele segundo de ouvir os dois corações, eu sabia que meus planos, minhas viagens mentais e o planejamento do ano estavam todos furados. Ao mesmo tempo em que a minha vida começava a se transformar totalmente, eu sentia mais do que nunca a perfeição dos planos de Deus.
A mudança começou ano passado, quando larguei tudo para ter mais tempo com a minha filha e voltei ao mundo da educação por acreditar ser o caminho para construção de uma sociedade melhor. Agora terei a oportunidade de colocar tudo isso em prática com mais dois anjinhos enviados por Deus para aumentar a família não só em tamanho, mas com certeza em amor, alegria, aprendizado e sabedoria.
Seria muito cruel acabar aqui sem mencionar que tudo isso só tem sentido porque escolhi a melhor pessoa do mundo para estar ao meu lado. Há 10 anos nos permitimos começar um relacionamento que já gerou um fruto lindo, muitas conquistas e a comunhão de nossas vidas. Que venham mais dois frutos para aquecer nossos corações, nos deixar sem dormir, de cabelos brancos e repletos de orgulho a cada novo gesto, passo e descoberta! Obrigada por acreditar na nossa história quando tudo ainda parecia um céu encoberto cheio de trovões. Mais uma vez alcançamos o arco-íris!

Realmente acredito na luz do arco-íris depois das tempestades! Que venham as mudanças e a casa cheia!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Um reencontro especial



De repente o olhar dela estava distante, parecia que a alma não habitava mais aquele corpo. As ações eram quase que mecânicas. O sorriso não saía dos lábios porque esta era uma característica peculiar dela desde criança. O fardo estava pesado, as costas pareciam carregar o mundo. E foi assim com a alma fora do corpo que ela conseguiu se observar.
Ela percebeu que suas ações pareciam desconexas. A sua vida estava indo para um caminho diferente do que esperava e os seus sonhos pareciam confusos com desejos. Mas sonho não é um desejo? Para ela não. Desejo era algo mais fácil de ser alcançado e mudava conforme a vida caminhava. Embora os desejos de ser uma pessoa melhor e ser feliz sempre estiveram presentes. Para ela, o sonho sempre significou um projeto de vida. O sonho era a realização plena e a sensação de estar viva. O sonho não mudava conforme o clima, mas a trazia para um mundo melhor e com mais fé.
Ao se distanciar um pouco dos seus pensamentos, ela olhou para o lado e levou um susto. Quem era aquela pessoa sentada no sofá pensando? Onde estavam os sonhos daquela menina que se tornou mulher? E ela se deu conta que o seu cansaço era maior do que o normal porque ela precisava de muito mais energia para manter-se nas funções que a vida exigia do que as que ela de fato gostaria.
Ela não estava infeliz, apenas perdida. Ela não estava arrependida dos caminhos escolhidos até então, porém sabia que tinha chegado o momento de mudar a rota e buscar outro destino. Alguma coisa dentro dela dizia que era preciso marcar um reencontro. Um reencontro com quem?-- logo ela se indagou. Com o passar do tempo, percebeu que o reencontro era com ela mesma, com os seus sonhos e com a sua trajetória. Não foi uma tarefa fácil decidir qual caminho seguir, mas depois que buscou dentro de si o que a deixaria feliz no presente e no futuro a missão foi concluída. Embora deixar uma carreira consolidada pareça uma árdua decisão para ela isso foi natural. Natural como trocar de roupa ou escovar o dente? Sim, ela sabia que aquela roupa era linda e a fazia feliz, mas já estava gasta com o tempo. E por que essa história de escovar o dente? Desde criança você aprende que escovar o dente é essencial para sua saúde bucal e para quem quer continuar sorrir para vida não existe algo mais natural do que essa ação diária. Ela sabia que sua decisão teria um preço financeiro, um preço social e um preço interno em como trabalhar tudo isso sem deixar que as escolhas continuassem no processo natural. Ás vezes, a nossa mente trabalha meio na contramão para nos testar. A mesma mente, que tomou todas as decisões e agiu naturalmente a elas, consegue promover questionamentos internos inimagináveis. Nesses dias de auto sabotagem ela algumas vezes chorou, outras silenciou, mas sempre rezou e jamais perdeu a fé de promover o tão sonhado reencontro com os seus sonhos e a sua paz interior.
De repente ela olhou aquela moça sentada pensando e se reconheceu. Ela sorriu para ela, deu a mão e disse – você não está sozinha. Eu estou aqui para me reencontrar com você e buscar um novo caminho. Não precisa mais brigar com sua alma, ela está aqui prontinha para encarar os novos desafios.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ex-jornalista, existe?



- Você mudou de profissão?
- Eu deixei de exercer o jornalismo como profissão e resolvi realizar um sonho antigo, o de me tornar professora. Fiz magistério, já trabalhei como monitora de acampamento e agora voltei para universidade. É uma delícia estudar aos 35 anos com toda bagagem adquirida, inclusive depois de ter feito tantas matérias sobre educação e ter acompanhado projetos interessantes de perto.
- E você não sente saudade do frio na barriga da pauta de cada dia?
- Adorava sentir esse frio na barriga. Gostava muito de ir para rua e conhecer a realidade das pessoas. Muitas vezes já tinha o texto pronto na cabeça e uma frase de alguém permitia que eu recriasse tudo. Ouvir as pessoas e me transportar ao mundo delas sempre me encantaram no jornalismo. Tenho várias histórias guardadas com carinho no coração. Escritas e publicadas são incontáveis, mas realmente algumas mudaram o meu modo de ver a vida e enxergar o outro. Parece bobagem falar isso hoje em dia onde tudo acontece dentro das redações enxutas e com tempo escasso para grandes pesquisas, mas a pauta sempre esteve e estará na rua. Pode ser na sua rua, na do vizinho ou na do outro lado do mundo. Mas a pauta está onde vivem as pessoas, onde é possível escutar e relatar a vida de quem tem muito a contar. As pessoas têm direito de reclamar, a imprensa de divulgar e cobrar uma solução. Pela minha experiência as pessoas têm muito mais coisa para contar e ensinar do que reclamar. Acredito que essa é uma falha estrutural da nossa imprensa. Com o avanço da tecnologia a sensação que fica é que todo mundo só quer reclamar. Penso que poderia ser ao contrário – destaque aos bons exemplos e um espaço de cobranças. O Brasil é rico em diversidade cultural e pessoas que na história da vida superaram obstáculos. São tantos relatos de superação que talvez nenhum CEO tenha essa habilidade em vencer com tão pouco recurso como muitos brasileiros venceram. Gosto de citar sempre a Eliane Brum. Uma jornalista que não deixou de exercer a profissão. Busca nuances diferentes para o que é martelado diariamente. Enxerga o ser humano com suas riquezas e mazelas, nas suas pequenas conquistas ou na superação de uma vida toda.
Voltando a sua pergunta. Não sinto mais essa vontade de ter esse tipo de adrenalina diária. Fui muito feliz durante os 15 anos em que me dediquei ao jornalismo, mas um dia eu percebi que precisava mais. Eu me dei conta que meus sonhos iam além da escrita e das pautas. A minha inquietação era grande e fui buscar no meu passado a minha alegria em ensinar e ajudar na travessia do conhecimento. Hoje percebo que para me tornar a professora que eu desejo o jornalismo foi fundamental, porque me permitiu conhecer um mundo distante do que era o meu. Eu consegui me conectar com a realidade de inúmeras pessoas o que me fez entender a importância de vivenciar e conhecer o mundo do aluno para ensinar. O jornalismo me transformou e serei eternamente grata a cada pauta e cada pessoa que entrevistei, observei, fotografei e trabalhei.
- E quando perguntam a sua profissão, o que você responde?
Essa pergunta é a que eu não queria responder. Eu ainda estou no processo de transição. Já sei que não quero mais trabalhar como jornalista, mas ainda não consigo responder estudante de Pedagogia. Talvez precise ainda de mais alguns dias ou meses para desapegar totalmente. Por isso depois de tanto brincar que sou ex-jornalista, acredito que uma vez jornalista sempre jornalista -- mesmo que essa não seja mais a profissão que trará o meu sustento. Com certeza a inquietação é resquício das perguntas que sempre gostei de fazer, a mim mesma e aos outros em cada história que ia contar.


A quem interessar -- conversa realizada mentalmente durante uma das minhas caminhadas matinais.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

E se eu fosse eu de outro jeito?



Mudar. Ter paciência. Ser uma pessoa melhor. Viajar. Algumas das minhas anotações em lugares diversos ao longo desse ano. Não era em papel de pão, mas em vários bloquinhos que transitavam nas minhas bolsas – não que eu tenha 20, as quatro que eu usei ao longo desse ano sempre tinham um caderninho e uma caneta.
A música “Paciência”, do Lenine, foi escolhida a dedo para ser a música dos meus 34 anos.

“Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para”

E foi um dia ao levar a minha filha para escola que eu me dei conta que quem precisava parar era eu. Mas como fazer isso se o mundo me acelerava e eu já não conseguia imaginar uma vida diferente? Minha alma estava inquieta e a paz parecia distante. A fé sempre me motivou a buscar o melhor de mim e das pessoas, talvez por rezar tanto que consegui enxergar e ter a coragem necessária para parar.

“Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara”

A vida é rara e eu bem sei disso. Eu que já perdi uma vida dentro de mim sei exatamente o que isso significa. E com esse presente divino que é celebrar a vida, mesmo com as cicatrizes que ganhamos ao longo dela, lembrei dos meus sonhos juvenis.  Senti o desejo de mudar algo que parecia imutável e percorrer novos caminhos porque eu precisava recusar essa pressa, essa aceleração.

“Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência”

Eu não queria mais fingir que aquilo tudo era normal, eu não queria mais fingir ter paciência, eu precisava resgatar a paz interior e buscar a cura para minha vida real.

“O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência”

E o que esperar do mundo? E o que esperar da vida? Um frio na barriga e um medo não podiam me paralisar. Eu precisava tentar, eu precisava mudar, eu precisava recalcular a minha rota e achar um novo destino.  Eu precisava ter paciência comigo e com os meus sonhos.

“Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara”

É difícil perceber que precisamos perder tempo conosco. Mais difícil que perceber, é aceitar a importância em perder esse tempo. Fica a dica para quem não assistiu ainda o Tarja Branca. O ator Domingos Montagner coloca muito bem a importância em perder tempo, em ficar quieto, em parar para não pensar em nada. Quando aceitamos essa condição do ócio na nossa vida conseguimos mudar a nossa relação com o tempo. Não precisa ficar no ócio o dia inteiro, mas alguns minutos que seja sem celular, sem computador, sem televisão faz muita diferença no dia. Eu medito muito menos do que deveria, mas busco cada vez mais colocar isso na minha rotina para perder tempo comigo diariamente.

E se alguém me contasse no final do ano passado, assim que eu tivesse completado meus 34 anos, que quando fosse fazer 35 passaria o dia em casa com minha família e não estaria trabalhando, eu com certeza iria dar uma grande gargalhada. E se alguém me contasse que um dia por decisão própria eu pararia a minha loucura e ficaria em casa por um tempo indeterminado, a minha resposta seria “jamais faria isso, não nasci para ficar cuidando da casa”. E se alguém um dia me contasse que eu voltaria para sala de aula em busca do meu sonho de adolescente, eu daria um sorriso e responderia “até que isso não seria uma má ideia, mas com certeza isso faz parte do meu passado”.


Nada como a maturidade e o tempo para mostrar que as nossas verdades, as nossas decisões são passageiras. E a graça da vida é olhar para traz e ver que ainda bem que eu mudei, penso e ajo diferente. Ainda bem que eu não tenho medo de assumir os meus erros passados e mudar as falas que não cabem mais na minha vida. Ainda bem que eu continuo sonhando e me transformando. A busca em ser uma pessoa melhor é constante. Viajar sempre. Ter mais paciência, já melhorei um bocado. Mudar, ah isso eu posso dizer que fiz e nunca terei medo de fazer apesar do frio na barriga. Chego aos 35 anos com um jeito diferente em ver o mundo e me relacionar com o tempo. Que venham mais histórias, fotos, causos, pessoas e lugares!

sábado, 21 de novembro de 2015

Descobrindo o movimento da vida



- Sabe fazer maquiagem? Imagine um balãozinho na cabeça --- Nunca soube nem passar base em mim direito.
- E um coque que fique na altura média do cabelo, não muito em cima, não muito embaixo? Outro balãozinho – Brincar de cabeleireiro só com as minhas bonecas e no cabelo da minha tia que tinha a maior paciência com as minhas mãozinhas que penteavam aquela cabeleira linda todas as férias.

Para não ficar desesperada manda logo uma mensagem à sua mãe pedindo ajuda com o cabelo, às irmãs lindas querendo todas as dicas de maquiagem. E ao mesmo tempo brigava com os pensamentos – você é capaz. Não é possível que para sua filha não consiga superar esses bloqueios de quem nunca se ligou a esse mundo cor de rosa.

Foram quatro meses de testes para atingir o coque perfeito. Foram quatro meses para entender um dom que jamais teve e conhecer um mundo que nunca fez parte do seu. Não foi apenas a estreia de quem sempre sonhou em ser bailarina (leia-se sempre para uma criança de quase quatro anos que pedia desde que começou a falar), mas a estreia do ballet na vida daquela família. A estreia dos passos delicados, do olhar focado, da busca da marcação no palco e do sorriso no rosto em dançar para vida.

Não poderia ter sido mais especial a escolha do tema. A pequena bailarina estreou dançando a história de Dom Bosco em homenagem ao bicentenário de seu nascimento. A história de quem sempre esteve na história de sua mãe; o jovem com o qual ela sempre se identificou. A estreia da pequena bailarina foi um presente para quem decidiu abraçar a missão da educação depois de anos afastada.

A dança parecia um movimento leve e sincronizado, mas no seu coração era a confirmação que a dança é o movimento da vida. É o movimento de quem está envolvido com ela, com as letras das músicas, com as cores das fantasias, com o mundo que ela apresenta para quem se deixa encantar com os gestos sincronizados e os passos leves.


A mãe foi tomada por uma emoção sem proporção ao saber que a estreia da filha era a sua estreia num mundo que jamais a pertenceu. E a superação aconteceu, o coque saiu perfeito e a maquiagem também. Ela não precisou da ajuda imaginada, só precisou do seu amor e dedicação. À mesma com a qual a filha sempre teve em aprender os passos da tão sonhada dança.

ps.: está na terceira pessoa para não sair as lágrimas do texto igual ao dessa mãe que descobriu com a filha o movimento da vida no mundo da dança!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Triste? Alegre? Medo? Raiva? Nojinho? Alegre?

Perguntas como essas não saem da minha mente desde que resolvi assistir Divertida Mente. E para reforçar a mente questionadora, o filme será o tema da apresentação de fim de ano de minha filha que tem três anos, nove meses e sete dias.
            Faz dias que a observo dialogando com ela mesma – sabe o que é alegria? É estar feliz quando ajuda o amigo, quando ganha um presente do papai e da mamã. E tristeza? É quando faz feiura, briga com o amigo. E de repente não é mais um monólogo: você está feliz? Triste? Qual o nome daquele roxinho mesmo? E eu, medo! Isso, você tem medo? Raiva é o vermelho, né mamãe?
            De repente para quem sempre teve um toque de alegria e tem como objetivo contagiar o mundo com um sorriso e pintar bem colorido com as cores já existentes percebe que não existe alegria sem a tristeza, o medo, a raiva e até o nojinho. Talvez isso possa parecer óbvio, mas para mim foi realmente uma grande reflexão esse filme.  Tanto na forma de encarar o mundo e as suas dores como explicar para minha filha de três anos, nove meses e sete dias como funciona os sentimentos das pessoas. Posso falar pra ela que é normal ficar triste, ao mesmo tempo, que não quero nunca vê-la triste porque hoje entendo que a tristeza dela reflete em mim em proporções imagináveis antes de ser mãe. Eu sei que o crescimento vem com a tristeza, os momentos alegres são muito mais intensos se já experimentamos o sofrimento. Mas como explicar isso para os filhos? Desafio diário vivido e o aprendizado no dia a dia porque esse manual de instrução ainda está em construção.
            O medo pode paralisar! “Não quero que a minha filha seja uma caipira da cidade”. “Ah não, medo de pernilongo. Olha o seu tamanho e o tamanho dele filha.” “Não pode ir no fundo da piscina sozinha, lá é perigoso.” E quando percebo eu estou escolhendo o que a minha filha deve ter medo e o que não deve conforme a minha vivência e a minha percepção de mundo! Justo eu, que já tive medo de bicho-papão por causa da música e de raio porque passei por algumas tempestades na infância que dá arrepio só de lembrar, quero que minha filha não tenha medo de algumas coisas e tenha de outras porque é perigoso. Ainda bem que no filme eles mostram que o medo é importante no quesito segurança, assim me sinto menos detentora do poder de intervenção nas descobertas de minha filha. Afinal não dá para encorajá-la o tempo todo, porque com água não se brinca já dizia meu avô.
            E o nojinho. “Filha que isso falando eca para comida. Se está no prato é para comer porque tem gente que gosta” (essa parte de respeitar a comida aprendi com um alemão uma vez em um restaurante que alguém fez cara feia para comida típica. E ele se fez entender mesmo em alemão, nem precisávamos de tradutor para compreender o quão ofendido ele ficou. Comparou o prato dele com a nossa feijoada – “eu experimentei pela primeira vez sem saber o que era e claro que adorei. Mas mesmo que não tivesse gostado em respeito a quem cozinhou e todas as outras pessoas que comiam com tanto prazer, eu nunca teria feito uma desfeita”).
            Já a raiva, essa eu quero distância. Além de me consumir, esconde a minha alegria de viver e desperta os monstros guardados atrás do belo sorriso (utilizando o elogio que costumo escutar e usando um pouco da vaidade). Eu sempre brinco que participar de reunião de condomínio é despertar o pior que está em mim. No prédio que eu moro não participo porque é um horário que estou sozinha com minha filha, mas esse é um desafio que quero superar nessa minha nova fase em busca de mais serenidade e menos ansiedade. Confesso que nas reuniões que participei nos outros lugares que morei saía péssima, talvez porque eu não conseguisse ter a paciência que eu achava que tinha para vida.
            Deixei a alegria por último porque realmente a considero fundamental em todas as etapas da vida, seja para o amadurecimento, a superação, a curiosidade ou até mesmo para ver o mundo de cabeça para baixo. Não consigo imaginar uma fase da minha vida sem a alegria. Não consigo acordar todos os dias e agradecer a Deus por tudo que reúno na minha vida até aqui sem dar um sorriso, mesmo lembrando que ocorreram muitas tempestades e nesse caso não necessariamente com raios, ventos e trovões. Vou continuar tentando colorir o mundo de todos que convivem comigo, mas cada vez mais entendo o outro, as suas escolhas e as suas histórias.

            Para finalizar e continuar na minha defesa da Alegria um trecho da  música do Almir Sater
Ando devagar porque já tive pressa 
E levo esse sorriso porque já chorei demais Cada um de nós compõe a sua história, Cada ser em si carrega o dom de ser capazde ser feliz”

domingo, 8 de novembro de 2015

Por um mundo mais Tarja Branca

            Se eu pudesse compraria milhares de cópias do documentário Tarja Branca – a revolução que faltava,  dirigido por Cacau Rhoden, e presentearia todos os meus amigos, conhecidos e desconhecidos. Minha vontade é distribuir para quem eu encontrasse na rua.
            O brincar é o tema central, mas engana-se quem encara a brincadeira como coisa de criança. A brincadeira é libertadora e essencial para uma sociedade que está cada vez mais doente. Vamos resgatar o taco, a bolinha de gude, as quadrinhas, o elástico, a corda, o bambolê, a pipa. Que tal formar uma roda e cantar as cantigas juntos com os filhos, com os amigos?



            O filme foi muito bem editado com depoimentos que fazem o espectador perder o fôlego. E depois que acaba a sensação pode variar entre a reflexão de vida e um otimismo que é possível construirmos uma sociedade melhor se resgatarmos a criança que mora dentro de cada um. Eu queria escrever e debater cada tópico, cada frase, mas acho que talvez pudesse sugestionar quem for assistir.
            Talvez o documentário me marcou tanto porque estou em uma fase de mudanças internas e externas. Talvez porque esteja diretamente envolvida com crianças na vida pessoal e profissional. Talvez porque sempre fui otimista e acreditei que podemos mudar e recalcular a rota em qualquer época da vida. Talvez porque nunca perdi de vista a criança que mora aqui dentro embora algumas vezes deixei-a adormecer, mas a curiosidade e o novo sempre me moveram. Talvez porque a minha alegria de viver sempre superou cada cicatriz que ganhei ao longo da vida. Talvez porque eu ame o Brasil e ver um documentário brasileiro só reforçou a minha teoria que o nosso povo é alegre, criativo e busca ser feliz...
            Aprendo diariamente que um dominó pode virar uma ótima comida, uma carta de baralho pode virar um pão, uma bolinha de papel de revista amarrada numa lã vira o Aquário, um cachorrinho que pode ir para qualquer lugar. Gratidão por viver cada vez num mundo de fantasia, sem perder a minha visão crítica de mundo, mas ao mesmo tempo sem me contagiar por uma mídia cada vez mais mal-humorada.

            Deixe um pouco os preconceitos de lado e permita-se uma dose de brincadeira para que a vida se torne mais leve mesmo com os desafios diários a enfrentar.  Segue o link para o trailer oficial

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Já escolheu ser feliz hoje?



O dia começou chuvoso. Logo já pensei naquele ônibus lotado, tudo fechado, chegar ao trabalho com a barra da calça molhada, sapato meio molhado e depois vou passar o dia todo com o pé gelado. Nossa a chuva é tão bem-vinda nessa época de seca nas represas, mas justo agora chover? Bem na hora que eu vou sair, ah São Pedro!!! Desse jeito meu dia já começa tudo virado. Tinha planejado tanta coisa bacana, mas só de ver a cara do tempo meu humor já virou! Bom, o jeito é acabar de me arrumar porque não tenho escolha. E se atrasar até imagino a cara de todo mundo quando eu chegar.
Vamos começar de novo...
O dia começou chuvoso. Como eu gosto desse cheirinho de terra molhada. Não é fácil pegar o ônibus na chuva para ir trabalhar, mas não tenho do que reclamar gosto muito do meu trabalho. Ambiente bacana e ainda recebo para fazer o que me dá prazer. E se eu não gostasse do cheirinho de terra molhada estaria feliz do mesmo jeito por ter vindo a chuva para trazer um pouco de umidade. Chega de divagação agora e vamos trabalhar porque a vida é muito linda e eu preciso aproveitar cada segundinho para ser feliz!
E não pense você que é só a chuva que traz esses sentimentos contraditórios. Eu poderia ter elencado vários exemplos simples do cotidiano para as duas versões, mas isso poderia virar quase uma tese porque adoraria colocar um pouco de psicologia e teóricos sobre comportamento ... quem sabe depois invista em uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto.  Voltando à felicidade... Todos os dias encontramos situações que fogem do nosso controle e que precisamos escolher como enfrentar. Cabe cada um decidir para qual caminho seguir.
Ontem comprei a edição de novembro da revista Vida Simples e me chamou a atenção um texto da Ana Holanda, “Onde mora a felicidade genuína”. O texto poderia ser extenso porque o assunto requer muita reflexão, mas o que tem transmite muito bem o recado. Traz um pouco da palestra do colunista Gustavo Gitti sobre esse tema que concluiu de forma brilhante, ao meu ver “A felicidade não vem do que acontece fora de você, mas do que cultiva internamente”. Tenho refletido muito sobre isso nessa fase nova da minha vida e escrevi sobre essa felicidade genuína faz alguns dias --- Amanhã não me preocupa como antes, aprendi a viver o hoje, a economizar muito e a ser cada dia mais feliz. E olha que eu nunca deixei de ser. Mas agora é uma felicidade diferente, uma felicidade que busca a simplicidade e consegue enxergar desafios onde antes não tinha muito significado (se quiser ler o texto completo Passei no estágio probatório).

Acredito que a felicidade é mais que um estado de espírito. A felicidade é saber escolher e ver o lado bom das suas escolhas. Nem sempre acertamos a escolha, mas o importante é buscar o que isso trouxe de novo e o que acrescentou na sua história. A felicidade está aqui dentro e aí dentro, basta saber enxergar com os olhos da experiência e da maturidade. De repente você vai perceber que é possível ser feliz todos os dias mesmo nas situações mais inusitadas e difíceis. E você, já escolheu ser feliz hoje?

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Passei no estágio probatório



Não estou acreditando que depois de três meses consegui passar no estágio probatório. No começo parecia que eu não daria conta. Uma verdadeira loucura! Acorda às 6h, toma café, arruma lancheira, faz o leitinho acorda a filha, coloca uniforme, leva para a escola. Até aí nenhuma novidade, afinal essa parte já era bem conhecida. E depois de deixar a filha na escola, o que fazer? Eram tantas as variáveis que a mente parecia perdida. Afinal depois de 10 anos em uma loucura diária, minha mente queria arrumar alguma ocupação a altura. Arruma a casa, arruma armário, faz almoço, lava louça (essa parte se repete 100 vezes ao dia quando se está em casa), brinca com a filha, inventa história, coloca para dormir de tarde, acorda para ir à natação, ou ballet, veste, arruma, volta, dá banho, faz janta, assiste um filminho, lê história, reza, conta mais uma história. Pronto, a filha dormiu! Nossa lembrei que não passei roupa, que não limpei alguma coisa. Caramba, 23h e eu nem tomei banho ainda. Ai meu Deus, fiquei em casa o dia todo e agora que percebi os brinquedos estão jogados. Guarda brinquedos, toma banho e dorme lendo o livro -- afinal agora que estou em casa tenho tempo pra ler. Ops, pensamento o que você disse? Ué você não parou de trabalhar e está em casa então agora você pode ler todos os livros que gostaria porque antes nunca tinha tempo devido à correria.
            Depois de uma semana – vou fazer uma planilha com tudo o que eu tenho pra fazer. Vou estipular os dias para me dedicar à faculdade. Vou aprender a não precisar ir ao supermercado todo dia e montar um cardápio da semana. Vou ouvir todas as pessoas que me falam que passar roupa é perda de tempo e fazer isso só com o necessário. Vou andar pelas ruas com minha filha sem pensar em limpar alguma coisa ou guardar algum brinquedo. Vou diminuir o tempo de celular e ler todos os livros que eu gostaria e não tinha conseguia. Vou entender os meus limites e aprender com eles, ah isso eu vou.
Planilhas feitas! Adoro um excel simples para colocar tudo em ordem.
            Aos poucos fui entendendo que a minha escolha de vida tinha mudado o meu jeito de ver o mundo. Comecei a ter tempo para as leituras e me dedicar aos trabalhos da faculdade como gostaria. Descobri que agilidade na cozinha é sinônimo de prática e agora estou buscando novos desafios com as receitas saudáveis para toda família. Minha mente entendeu que eu não tenho um chefe ou um inspetor para ver como está minha casa todos os dias e mesmo se tivesse não precisaria estar tudo no seu devido lugar porque aqui moram três pessoas. Consegui organizar minha vida para estar com as pessoas queridas e sempre pronta para receber alguém em casa com muito amor e carinho.
            Depois de três meses entendi que eu precisava desacelerar para buscar novos desafios e isso pode ser encontrado aqui em casa mesmo, não preciso sair por aí para buscá-los. Consegui colocar na rotina as minhas caminhadas, o yoga e ainda tento achar um horário para meditação. Recebo todos os dias o meu pagamento quando minha filha chega da escola e grita “mamãe” e vem correndo me abraçar. O bônus é almoçar em casa com a minha família todos os dias e o meu marido elogiar minha comida e a minha filha falar que sou uma ótima cozinheira. Amanhã não me preocupa como antes, aprendi a viver o hoje, a economizar muito e a ser cada dia mais feliz. E olha que eu nunca deixei de ser. Mas agora é uma felicidade diferente, uma felicidade que busca a simplicidade e consegue enxergar desafios onde antes não tinha muito significado -- era uma simples tarefa doméstica que estava terceirizada.